Debate Sobre o Pré-Sal promovido pela UNE
Foi realizado dia 16/01 (Domingo) o Seminário “O Pré-Sal e os Novos Paradigmas Econômicos e Energéticos” com a presença do Presidente da AEPET, Fernando Siqueira; do Secretário-Geral do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella; do Presidente da FUP (Federação única dos Petroleiros) João Morares e do Engenheiro da Petrobrás, Sidney Granja. O evento lotou o local e foi promovido pela UNE dentro da Programação do 13º Coneb (Conselho Nacional de Entidades de Base) e se realizou no Centro de Tecnológico da UFRJ.
O primeiro a fazer uso da palavra foi o presidente da AEPET, Fernando Siqueira, que fez uma abordagem sobre o histórico da formação geológica da Terra e o aparecimento do petróleo no subsolo do planeta. Ele falou também que atualmente a geopolítica internacional do petróleo está apontando para o aumento da demanda do combustível e uma queda na sua produção. A descoberta do Pré-Sal fez o mundo se voltar para esta reserva que pode chegara 100 bilhões de barris com um potencial de US$ 10 trilhões para a economia brasileira. Porisso a grande pressão das empresas multinacionais sobre o Congresso brasileiro para a aprovar uma legislação que defenda os interesses do capital estrangeiro na exploração petrolífera no Brasil. Como exemplo podemos mostrar a situação dos EUA que tem uma reserva 30 bilhões de barris e consome um total de 10 bilhões por ano e por isso estão de olho no nosso Pré-Sal. Siqueira mostrou ainda que a nova legislação da partilha do petróleo é melhor do que a anterior criada por FHC que era a da concessão onde todo o óleo ficava com as empresas e agora o produto é de propriedade da União. Com a atividade petrolífera o total de empregos gerados diretamente pode chegar a 1 milhão de novas vagas no mercado de trabalho do setor, além da repercussão na cadeia produtiva da economia.
O engenheiro da Petrobrás, Sidney Granja falou sobre a política energética brasileira em quecom a valorização do dólar pode haver uma falta de competitividade das empresas brasileiras para o setor de exportação. Ele afirmou que o Pré-Sal tem que ter seu uso decidido pela população brasileira para que os recursos sejam aplicados nas necessidades de melhora das condições sociais dos mais carentes. A qualificação da mão de obra é um dos gargalos da indústria petrolífera do Brasil e apesar do Pronimp que está formando 250 mil pessoas anualmente será preciso mais investimentos do governo nesta área. Granja disse ainda que é preciso usar o dinheiro do petróleo para pesquisar fontes alternativas de energia mais limpa e renováveis.
O dirigente da FUP, João Moraes, iniciou a sua explanação citando a tragédia ambiental da Região Serrana do Rio. Para ele a mudança no modelo de desenvolvimento calcado no petróleo tem que ser modificado, uma vez que é um sistema concentrador na política, na renda e altamente poluidor. Moraes falou que grande parte da matriz energética mundial é o petróleo e que em segundo lugar vem o carvão que é também um elemento agressivo ao meio ambiente. Ele disse ainda que o homem vive sem os bancos na sociedade, mas sem energia não é possível sobreviver e temos que pesquisar a substituição dos combustíveis fósseis nas várias atividades humanas, uma vez que o petróleo é um recurso finito. O exemplo da Noruega foi citado pelo expositor para mostrar a grande força do petróleo como fonte de desenvolvimento econômico e social de um país que de uma colônia de pescadores nos anos 60 do século passado alcançou o aumento da riqueza para a sua população com a descoberta de reservas de petróleo.
O Secretário-Geral do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, fez um chamamento a juventude brasileira que está reunida neste 13º Coneb que faça um grande movimento em defesa do pré-sal como aconteceu nas décadas de 40 e 50 que foi responsável pela criação da Petrobrás. Cancella fez um alerta de que as gerações futuras irão cobrar a posição dos que vivem hoje sobre a questão do pré-sal. Os investimentos da Petrobrás na sociedade brasileira tem mostrado a força a matriz energética do petróleo tem sobre a população do nosso país e no governo Lula houve um considerável avanço na volta da aplicação de dinheiro no mercado interno do país. A indústria naval é um dos exemplos do poder que uma política de desenvolvimento feita pela área federal pode mudar a história de um determinado setor com uma nova diretriz que priorize o mercado interno do país.
Depois da apresentação dos palestrantes houve um debate com os estudantes. Várias intervenções foram no sentido da volta da Petrobrás como uma empresa genuinamente brasileira com o retorno do monopólio estatal do petróleo. A reestatização da Vale do Rio Doce foi defendida pelos estudantes, assim como uma agenda de manifestações conjuntas do movimento estudantil e de outras entidades sociais para barrar os leilões do petróleo e exigir uma nova política do governo Dilma em relação ao assunto. A questão da aplicação de50% dos recursos do fundo social criado para gerir o dinheiro do petróleo para a educação foi um dos temas abordados nas perguntas dos presentes. Foi dito ainda nas colocações que os investimentos do governo Lula aumentaram a confiança da população brasileira e um dos exemplos foi a volta da Refinaria Alberto Pasqualini , no Rio Grande do Sul, para o controle da Petrobrás que comprou a unidade da Repsol. A discussão sobre o veto do Presidente Lula na divisão dos royalties do petróleo entre os estados produtores e os não produtores merece uma nova abordagem na opinião do movimento estudantil para diminuir as desigualdades regionais do Brasil.









