As ações da Petrobrás sobem mais de 3% nesta quinta-feira (22) após a notícia de que integrantes do governo federal já dão como certo um novo reajuste nos preços dos combustíveis ainda neste ano.
Às 12h45 (horário de Brasília), os papéis preferenciais (mais negociados e sem direito a voto) da estatal subiam 3,22%, para R$ 17,90, enquanto as ações ordinárias (com direito a voto) tinham avanço de 3,69%, para R$ 17,12.
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, tinha valorização de 1,31%, a 51.067 pontos. As ações da Petrobrás, juntas, representam em torno de 11% do índice.
A Petrobrás pediu ao governo por um aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel, diante das perdas geradas à companhia pela escalada do dólar.
A presidente da empresa, Graça Foster, esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também discutiu o assunto com a chefe.
A estatal compra combustível em dólar e vende em real no Brasil. A situação de caixa, que já não era confortável, agravou-se com a desvalorização cambial verificada no ano, de aproximadamente 20%.
O temor é de que, sem o reajuste, a companhia perca o grau de investimento (status de bom pagador) dado pelas agências de classificação de risco.
O governo, entretanto, vive um dilema, pois o considerado inevitável aumento nas bombas tem efeito direto sobre a inflação, o que assusta o Palácio do Planalto em um momento de crescentes dificuldades na economia.
Segundo a Folha apurou, a Petrobrás já chegou a propor um reajuste escalonado para diluir o impacto inflacionário, mas não tem esperança de um aumento que compense integralmente a defasagem recente.
A companhia fez todo o seu plano de negócios para os próximos anos com um câmbio a R$ 2,00, daí a extrema preocupação com a escalada do dólar diante do real –às 13h, o dólar à vista, referência para as negociações no mercado financeiro, subia 0,74% em relação ao real, a R$ 2,446.
Outro problema força a decisão de reajuste neste ano: nenhum governo quer aumentar a gasolina em um ano eleitoral. Dilma concorrerá à reeleição em 2014.
O mais recente reajuste de preços da Petrobrás foi em janeiro. O aumento foi de 6,6% para a gasolina e de 5,4% para o diesel nas refinarias.
Avaliação
“A expectativa de aumento de preços de combustíveis já está embutida no mercado, o que ameniza o impacto de um reajuste de preços. Caso a decisão do governo seja reajustar os preços na casa de um dígito, ainda vemos espaço para alta das ações da companhia”, diz William Alves, analista da XP Investimentos.
Segundo o analista, o pior cenário para a Petrobrás seria uma negativa do governo em relação ao assunto, frustrando todas as expectativas.
“Ressaltamos que para equacionar o caixa da companhia e deixá-la apta para executar seu plano de negócios, a companhia necessita reajustar os preços dos derivados para que amenize o prejuízo no segmento de abastecimento”, completa Alves.