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Taxa Selic (08/10/2013)

Data da publicação: 08/10/2013
Autor(es): Valor Econômico

Copom: maioria vê juro em alta, mas não a dois dígitos

Há uma certeza no horizonte: o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aumentará a taxa básica amanhã, quarta-feira, em mais 50 pontos-base, para 9,50%. Depois, a ver. Economistas entrevistados pelo Valor PRO e o mercado futuro de juros, que andaram divorciados, apontam para uma mesma direção. Tudo indica que começa a se fortalecer a ideia de que o encerramento do ciclo de aperto monetário está próximo sem que a Selic alcance os dois dígitos. O Copom só tem mais dois encontros em 2013. O penúltimo começa hoje e termina amanhã. O último está marcado há mais de um ano para os dias 26 e 27 de novembro. Pesquisa realizada pelo Valor Pro junto a 40 analistas sugere o Copom se preparando para bater em retirada para alegria de alguns e desespero de outros, que possivelmente temem uma explosão inflacionária tragando nossas almas antes do Natal.

Dos 40 profissionais consultados, 39 esperam elevação da Selic em 50 pontos-base amanhã, com a taxa avançando a 9,50% ao ano. Apenas 1 vê Selic a 9,25%. Para o último encontro do colegiado este ano, 23 dos 40 analistas veem a Selic em alta de 0,25%, encerrando o ano a 9,75%, enquanto 13 esperam taxa básica de 10%. Para dezembro de 2014, portanto após a escolha do próximo Presidente da República, 20 dos 40 entrevistados estimam Selic a 9,75%. E 15 trabalham com projeções esparsas entre 10% e 11,50%, sendo que apenas 1 brasileiro contempla a taxa mais alta.

Bank of America Merrill Lynch (BoFA), MB Associados e HSBC são as três instituições, entre 40 consultadas pelo Valor PRO na semana passada, que veem o Copom elevando a Selic a 9,50% amanhã e mantendo a taxa inalterada até dezembro de 2014.

“Há uma incerteza legítima em quanto mais o BC vai elevar o juro básico porque a atividade está ruim. Tão ruim, que o BC até promoveu uma revisão em sua estimativa de expansão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 2,7% para 2,5%. Mas o cenário do BC é até otimista. Vejo desaceleração até maior”, afirma David Beker, economista-chefe do BoFA para o Brasil, em entrevista exclusiva para o Casa das Caldeiras.

Beker não vê espaço para avanço robusto do Brasil em um ambiente de persistente fragilidade da economia internacional e, especialmente, da economia americana. “Estamos trabalhando com perspectiva de tapering começando em janeiro, mas nosso economista responsável por análise global já vislumbra riscos da ação do Federal Reserve [reduzindo os estímulos monetários] só acontecer mais tarde em 2014”, conta o economista do BoFA que insiste no fato de que o cenário mudou. Ele explica que na última reunião do Copom, no fim de agosto, o dólar era cotado acima de R$ 2,30 e caminhava para R$ 2,50.

“Agora caminha para R$ 2,20. E mesmo com o dólar mais pressionado, o Relatório de Inflação divulgado na semana passada pelo BC mostrou que a trajetória do IPCA é declinante. Até por esse motivo, há espaço para o reajuste da gasolina”, diz Beker que projeta inflação ao consumidor de 5,8% em 2013 e 6% em 2014; dólar a R$ 2,20 ao final de 2013 e R$ 2,40 ao final de 2014; e Selic de 9,50% nos dois anos.

O Copom gera intensa e dupla expectativa. A primeira, é com a taxa escolhida pelos integrantes do colegiado que é composto pela Diretoria do BC, lembrando que Luiz Awazu é responsável por duas (Assuntos Internacionais e Regulação) mas vota só uma vez. A segunda expectativa é com o comunicado da reunião que pode trazer alguma indicação para a próxima. “A chance do comunicado trazer uma linguagem que mostre um Banco Central mais dependente dos dados claramente aumentou”, diz Beker.

As três instituições –BoFA, MB Associados e HSBC— não contam com mudança da Selic no Copom de novembro. Não há qualquer garantia de que o Copom dará alguma sinalização sobre decisão futura e em meio a incertezas externas.Em tempo: Não vamos esquecer, portanto, que, em agosto de 2011, frustrando expectativas e rompendo com o que todos imaginavam ser um ritual, para ação no encontro seguinte, o Copom iniciou subitamente um ciclo de redução da Selic. O primeiro corte foi de 50 pontos, de 12,50% para 12% em agosto de 2011. O último foi feito em outubro de 2012, quando a Selic caiu a 7,25% – mínima histórica que a presidente Dilma Rousseff, tudo indica, levará como trunfo do seu governo.