Paraguai ratifica entrada da Venezuela no Mercosul
Três meses depois de retomar as relações diplomáticas com a Venezuela, o governo do presidente conservador do Paraguai, Horacio Cartes, deu um novo passo para melhorar não só as relações com Caracas – mas também para reforçar sua legitimidade junto ao Mercosul. O presidente ratificou a adesão dos venezuelanos ao bloco e enviou o documento para a aprovação final do Senado.
– É importante que o Paraguai tenha novamente um papel de protagonismo no Mercosul e com isso, vamos chegar à ordem institucional. É uma decisão autônoma, pensada, discutida e compreendida pelos demais sócios – afirmou o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga.
Paraguai e Venezuela acabaram num imbróglio diplomático iniciado no ano passado, quando o então presidente paraguaio Fernando Lugo foi tirado do poder – algo considerado pela Venezuela uma “ruptura democrática” na América do Sul. À época, Nicolás Maduro, atual chefe de Estado venezuelano e então chanceler, liderou uma missão da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para mediar a crise. Mas, ele acabou sendo declarado persona non grata pelo Congresso paraguaio. Pouco depois, os dois países fecharam suas respectivas embaixadas.
A queda de Lugo provocou, ainda, a suspensão do Paraguai da Unasul e do Mercosul. E a crise ganhou contornos ainda mais graves quando os outros países do bloco, Argentina, Brasil e Uruguai aceitaram a candidatura da Venezuela como membro pleno – sem que o Paraguai aprovasse o recém-chegado.
A punição ao Paraguai foi suspensa em agosto passado – justamente no momento em que a Venezuela ocupa a presidência rotativa do bloco. Desde então, o país vem participando das reuniões, sem intervir. O presidente Cartes, porém, afirmava que somente se reintegraria quando o Congresso de seu país desse o sinal verde para o endosso oficial à entrada da Venezuela no Mercosul. E agora o Paraguai parece dar sinais de querer voltar à atividade plena no bloco.
No ano passado, o Senado paraguaio havia rechaçado a candidatura venezuelana por contestar os processos democráticos no país. Mas, analistas acreditam que desta vez o pedido será acatado: embora o governista Partido Colorado não tenha maioria na Casa, outros aliados, como a Frente Guasu, liderada pelo deposto Fernando Lugo, apoiariam a iniciativa.
– Existe a vontade política necessária para que possamos aprovar o acordo – garantiu o presidente do Congresso, o senador colorado Julio César Velázquez.