O Banco Central diminuiu a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano de 2,5% para 2,3%. De acordo com o relatório trimestral de inflação, publicado nesta sexta-feira pela autoridade monetária, o país deve manter no ano que vem o mesmo ritmo de crescimento, 2,3%, no acumulado até o terceiro trimestre. Os diretores ainda apostam que a inflação continuará resistente nos próximos anos.
A agropecuária foi responsável pelo pessimismo do Banco Central. A estimativa de crescimento para o setor caiu de 10,5% para 7,3% neste ano depois dos frustrantes dados do terceiro trimestre que já foram divulgados. O setor de serviços também não deve ter o comportamento previsto antes. A aposta de expansão passou de 2,3% para 2%. Essas reduções de perspectiva foram suficientes para encobrir mais otimismo em diversos outros setores.
Para a indústria, o BC aumentou a expectativa de crescimento de 1,1% para 1,3%. O consumo das famílias deve expandir-se mais que o previsto antes. A projeção foi revisada de 1,9% para 2,3%. A demanda do governo também. A estimativa para o consumo do Estado subiu de 1,8% para 2,1%. E o investimento também deve aumentar. A perspectiva de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou de 6,5% para 6,8%.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, afirmou nesta sexta-feira, que a economia está mais competitiva e passa por um momento de ajuste. Ele frisou que o país tem moderação nas taxas do consumo tanto das famílias quanto do governo. E o investimento mostra aceleração. Ou seja, a capacidade de produzir aumenta mais que a demanda: o que pode ser um alívio para a inflação.
– Há um certo ajuste na composição da demanda agregada – garantiu.
Segundo o diretor, a indústria brasileira está mais competitiva. Ele citou vários fatores para isso como o câmbio mais favorável, a redução de custos por causa da folha de pagamentos e a desaceleração da alta do custo de mão de obra.
No relatório trimestral de inflação, o BC manteve a projeção de 5,8% para o índice de Preços ao Consumido Amplo (IPCA) para este ano. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula uma alta de 5,77%.
O diretor de Política Econômica do BC indicou que as previsões de inflação da autarquia podem cair porque a instituição continuará a agir. Hoje, a autoridade monetária divulgou que a estimativa para a inflação em 2014 é de 5,6% e de 5,4% para 2015. Acima da meta para a alta de preços nos dois anos: 4,5% com uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
– Esse quadro pode se tornar mais benigno porque o Banco Central vai permanecer de olho no combate à inflação – garantiu Araújo.
As contas do BC são feitas sobre um cenário de referência. Os técnicos usam a taxa básica de juros em vigor, ou seja, 10% ao ano. Ou seja, mudanças promovidas pelo próprio Banco Central alteram essas previsões. Além disso há o fator surpresa do dólar, que tem impacto direto no preço dos produtos importados.
Por isso, o Banco Central trabalha com uma possibilidade de eventos econômicos que podem fazer a inflação estourar o teto da meta. Tanto para 2014 quanto para 2015, a probabilidade de o IPCA romper essa barreira é de 27%.
FONTE: O Globo