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Petroleiros cobram reposição, por concurso, da mão-de-obra que optou pelo PIDV

Data da publicação: 14/05/2014
Autor(es): Rogerio Lessa

Ao divulgar esclarecimentos sobre o desempenho da Companhia no primeiro trimestre de 2014, a Petrobrás afirmou a acionistas e público em geral que irá repor apenas 60% dos postos de trabalho dos funcionários que estão deixando a empresa por conta do Plano de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV).

A informação surpreendeu e contrariou as entidades ligadas aos trabalhadores da Petrobrás, que esperam a total reposição, por concurso público, do pessoal que deixa a empresa. Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ, afirmou que a Petrobrás se comprometeu a repor integralmente, em três anos e através de concurso, o pessoal da área operacional. “Para o administrativo, a presidente ficou calada. Então, os 40% restantes poderão terceirizados. Lamentamos essa postura”, criticou, lembrando que existe uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) determinando a reposição dos concursados até 2015.

“A companhia continua aumentando o número de terceirizados, apesar dos problemas recorrentes. Os terceirizados são as maiores vítimas dos acidentes de trabalho na Petrobrás, inclusive em relação aos óbitos. Também sabemos que concurso público é o melhor caminho para evitar a corrupção. A terceirização acaba sendo uma ‘ação entre amigos’, porque ninguém é terceirizado na Petrobrás sem ter um amigo na companhia”, resumiu, afirmando que a terceirização enfraquece a Petrobrás, pois é muito maior o grau de comprometimento dos funcionários concursados.

Já a Federação única dos Petroleiros (FUP) considera inclusive que há necessidade de ampliar o número de vagas pré-existente. “Desde o primeiro momento cobramos a realização de um concurso para reposição. Na entrevista mais recente, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse que 60% seriam o mínimo a ser recolocado. Estamos analisando para cobrar”, disse o coordenador-geral da FUP, João Antônio de Moraes, ratificando que, mesmo sem o PIDV, o efetivo está aquém das necessidades de trabalho.

“Já estava faltando gente antes. E o pessoal administrativo é o mais carente, pois foram dez anos sem concurso para área operacional e de manutenção, e 15 anos o para o administrativo”, ponderou. Moraes observa que embora o trabalho administrativo esteja menos exposto aos acidentes de trabalho, grave problema que atinge mais a área operacional, sobretudo os terceirizados, a terceirização tem outros problemas, que atingem a todos os trabalhadores, sendo, portanto, uma alternativa condenável.