São impressionantes os números relacionados ao navio petroleiro João Cândido, primeiro construído no Nordeste, pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que recebeu o certificado de classe da sociedade classificadora American Bureau of Shipping (ABS), documento que o permite começar a operar em mar aberto. O gigante de 274 metros e 51 metros de altura é capaz de transportar 1 milhão de barris de óleo cru, o equivalente à metade da produção diária do país. As 4 mil toneladas de óleo combustível nos tanques permitem que o João Cândido consiga dar a volta ao mundo sem precisar reabastecer.
No entanto, sua construção demorou um ano e nove meses além do prazo de entrega e o custo superou em R$ 170 milhões o previsto, totalizando cerca de R$ 470 milhões. Para o segundo presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindimar), José Válido, este problema deve ser creditado ao “custo de aprendizado”, que no futuro trará lucros ao país. Ele cobra, porém, o mesmo tratamento para os trabalhadores. “O custo de aprendizado é contabilizado como custo operacional, mas na hora de subsidiar quem está operando, os trabalhadores, o tratamento deveria ser igual. Temos que pensar nisto”, advoga.
Quanto ao equipamento utilizado no navio, Válido destaca que é de última geração. No entanto, em alguns setores, há mais máquinas e peças sobressalentes. “Significa que não pode haver falha na manutenção”, adverte.