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No BNDES, Siqueira insiste que leilão de Libra foi crime de lesa pátria

Data da publicação: 29/05/2014
Autor(es): Alex Prado

Quase cinquenta pessoas participaram, nesta quinta-feira, no auditório do BNDES, do debate “O petróleo é nosso? Da descoberta do pré-sal ao leilão de Libra”, dentro do ciclo “Pensando o desenvolvimento”, promovido pela Associação dos Funcionários do BNDES. Os debatedores foram Fernando Siqueira, vice-presidente da AEPET e Guilherme Estrella, geólogo e ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás.

Estrella destacou que a descoberta do pré-sal se deveu a uma guinada na direção da Petrobrás, a partir de 2003. Segundo ele, antes a empresa estava com a prospecção de novos campos quase parada e vendo suas reservas principais, na Bacia de Campos, entrarem em curva de declínio de produção.

A descoberta do pré-sal em área que a Shell já havia pesquisado e devolvido à União, por julgá-la não comercial demonstra a capacidade da Petrobrás e de seu corpo técnico.

Segundo o geólogo, além de garantir um estoque produtivo de mais de 50 anos à Petrobrás, o pré-sal significará investimentos acima de U$ 1 trilhão nos próximos 30 anos, mudando completamente o perfil do Brasil.

Já o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, insistiu na defesa do patrimônio do pré-sal para os brasileiros, denunciando o leilão de Libra como um crime de lesa pátria. Para ele, a Petrobrás tem todas as condições de explorar sozinha o pré-sal e num ritmo adequado às necessidades do país e não naquele determinado pelo mercado e pela sede de acionistas no lucro imediato.

Siqueira também destacou a questão geopolítica do pré-sal, lembrando que a descoberta foi logo seguida pela reativação da 4ª frota naval da Marinha dos EUA, que foi colocada no Atlântico Sul.

“Como no Atlântico Sul só estão Brasil e Argentina e a Argentina já havia desnacionalizado seu petróleo, a 4ª frota veio para “proteger” o pré-sal, ou seja, para pressionar o governo brasileiro a entregar o pré-sal. Lamentavelmente, a presidente Dilma cedeu à esta pressão” afirma, Siqueira.