Durante o 2º Fórum de Acompanhamento e Aconselhamento de seu mandato, realizado na última terça-feira na sede da AEPET, o representante eleito dos funcionários no Conselho de Administração da Petrobrás, Silvio Sinedino, que preside a AEPET, ouviu as preocupações de algumas das mais de 20 pessoas presentes quanto ao possível sucateamento do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), que incluiria a extinção da Engenharia Básica daquele centro.
A preocupação aparentemente contrasta com números divulgados recentemente na mídia, que colocam a Petrobrás na liderança em investimento em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) na comparação com as demais petroleiras. Durante o encontro, foi dito que apenas 8% dos investimentos em pesquisa são direcionados ao longo prazo e há incerteza quanto à qualidade e ao retorno do restante do investimento.
Outra angústia dos petroleiros está ligada à “invasão” de centros de pesquisas de empresas estrangeiras na Ilha do Fundão, onde está localizado o Cenpes. Há suspeita de que as multinacionais ali instaladas possam se beneficiar da tecnologia produzida pelos pesquisadores da Petrobrás.
Na opinião do ex-presidente da AEPET, Diomedes Cesário da Silva, para elucidar a questão do Cenpes deve-se separar as contratações de pesquisas externas, que, classificadas como investimento em pesquisa, muitas vezes são a alternativa para as regras de contenção de custos determinadas pela direção da Companhia, válidas para todos os setores.
“A Petrobrás está concentrando investimentos na produção, como é o caso das novas refinarias, por exemplo, e às vezes faltam recursos para outras áreas, levando às contratações externas”. No caso do Cenpes, ele acrescenta que alguns funcionários estão sendo realocados e, após as demissões via PIDV, haverá grande perda de profissionais experientes.