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Petroleiros querem total apuração de irregularidades na Petrobrás

Data da publicação: 12/06/2014
Autor(es): Rogerio Lessa

Em depoimento à CPI da Petrobrás, o ex-diretor de Abastecimento da Companhia, Paulo Roberto Costa, acusou a PDVSA pelo atraso e gastos excessivos na construção da refinaria Abreu e Lima. Costa, no entanto, reconheceu que mantinha mais de R$ 1 milhão em espécie na sua casa. No dia seguinte (quarta-feira, dia 11) teve suas contas na Suíça bloqueadas e a justiça determinou que voltasse à prisão, para evitar risco de fuga.

Na mesma quarta-feira, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, voltou a Brasília para depor na CPMI e chorou ao ser questionada se a Companhia fez “conta de padeiro” na hora de calcular o preço da refinaria Abreu Lima em US 2,5 bilhões.

Na opinião do presidente da AEPET, Silvio Sinedino, a justiça está correta em fazer com que Paulo Roberto Costa retornasse à cadeia. “Surpresa foi o relaxamento de sua prisão, mesmo com tantos indícios de delitos graves, a começar pela pequena fortuna que mantinha em casa”, observou.

Quanto ao depoimento da presidente da Petrobrás, Sinedino considera natural a emoção. “Os petroleiros também estão indignados. A história da ‘conta de padeiro’, além de ser um absurdo, é um enorme desrespeito ao trabalho sério que se faz na Petrobrás”, define.

Já o diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, observa que “todos sabemos que a Petrobrás é uma empresa séria e que a corrupção está presente em qualquer grande empresa do mundo capitalista”. Cancella, no entanto, cobrou da imprensa e das autoridades competentes uma apuração completa dos fatos, principalmente a identificação não apenas dos corruptos, mas também dos corruptores.

“No Brasil, a corrupção parece se alastrar com mais facilidade por causa dessa restrição do debate, dessa exclusão da figura do corruptor. É preciso identificá-lo e, sobretudo, apontar a que interesses serve”, ratifica o diretor do Sindipetro-RJ, reprovando o que classifica como “denúncias eleitoreiras”.