O governo decidiu pensar melhor sobre a intenção de aumentar dos atuais 25% para 27,5% a participação do etanol anidro na mistura da gasolina. Tanto que está elaborando um plano de trabalho a ser executado a partir desta semana, para realizar estudos técnicos sobre o desempenho de motores automotivos e verificar se a medida pode ser executada no curto prazo.
A indústria automobilística resiste a um eventual aumento do limite da mistura obrigatória em função do impacto sobre os carros à gasolina.
Na opinião do ex-deputado federal Ricardo Maranhão, que é conselheiro da AEPET, o governo está correto em avaliar possíveis problemas causados aos motores, sobretudo aqueles fabricados até 2008, que ainda não pertenciam à “geração flex”.
Maranhão, no entanto, aponta algumas vantagens, já que a política de preços para os combustíveis, a pretexto de controlar a inflação, prejudica a Petrobrás e também a competitividade do álcool, que é combustível renovável e estrategicamente importante para o país.
“Se não prejudicar os veículos será uma medida positiva. O setor sucroalcooleiro tem dívidas que ultrapassam R$ 60 bilhões, enquanto a Petrobrás diminuiria suas perdas com as importações de gasolina”, opina, ponderando que maiores encomendas de álcool podem refletir positivamente na produtividade e gerar ganhos de escala para o setor.
Segundo informações Fórum Nacional Sucroenergético, a crise no setor já levou 44 usinas a entrarem com pedido de recuperação judicial. O etanol estaria saindo da fábrica ao preço de R$ 1,20 o litro, enquanto o custo de produção já alcança R$ 1,25.
Já outro estudo, de uma instituição financeira, mostra que desde 2003 o endividamento cresceu 19 vezes e a produção pouco mais que dobrou. Entre os grupos avaliados, apenas 12 tinham situação considerada boa. Outros 35 estavam em situação mediana e 18 tinham “operação muito ruim e alavancagem alta”.