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Cientistas debatem riscos ambientais na exploração do gás de xisto

Data da publicação: 25/07/2014

O Seminário “Territórios Fraturados: a expansão do fracking e do gás de xisto na América Latina”, acontece nesta terça-feira, às 18h30min, no auditório do Sindipetro-RJ.

No último dia 23 de junho, cientistas brasileiros se encontraram na 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em painel sobre os impactos socioambientais da exploração de petróleo e gás de xisto, eles ressaltaram que é preciso avaliar cuidadosamente os riscos desse tipo de operação.

E nesta terça-feira, às 18h30min, acontece o Seminário “Territórios Fraturados: a expansão do fracking e do gás de xisto na América Latina”, no auditório do Sindipetro-RJ.

Para Jailson Bittencourt de Andrade, conselheiro da SBPC, a extração do xisto é complicada, pois o mineral está abaixo de aquíferos importantes e para acessar o gás é preciso atravessar o aquífero, um processo que requer uma tecnologia extremamente segura. Além disso, a extração utiliza agentes químicos que poluem a água potável de poços próximos.

O aspecto logístico também deve ser levado em consideração. O gás é extraído por pressão hidráulica, o que gera grandes demandas por água. “O local precisa de uma cadeia produtiva de água e de transporte de gás”, disse Andrade.

Luiz Fernando Scheibe, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), detalhou que para perfurar um lote de gás de xisto são necessários, em média, 20 caminhões bomba para jorrar água em profundidade e conseguir fraturar a rocha. “É um processo complexo, dominado por poucas empresas no mundo”.

No ano passado, a SBPC e Academia Brasileira de Ciências (ABC), enviaram um documento à Presidência da República, com alerta sobre os riscos e pedindo uma moratória na exploração do gás de xisto enquanto não ficarem claros seus impactos no meio ambiente. “Infelizmente a exploração não foi interrompida, mas o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação montou uma rede envolvendo cinco institutos nacionais da área de energia para estudar os impactos. A rede foi montada, mas os recursos ainda não chegaram”, afirmou Andrade.

O pesquisador da USP, Umberto Giuseppe Cordani, lembrou que, apesar de os EUA avançarem na extração do gás de xisto, países europeus, como a França, desistiram de extrair o recuso temendo danos ambientais “o Brasil está entrando nessa área de maneira intempestiva”, comentou.