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O fruto da má gestão e da corrupção na Petrobrás

Data da publicação: 06/05/2014

O governo Dilma Rousseff está negociando com a Sinopec – companhia de energia estatal chinesa – para construir refinarias no Brasil. Endividou a Petrobras e agora usa o argumento de que é preciso aliviar a pressão sobre a Petrobras que está em dificuldade financeira extremada.

Graça Foster, presidente da Petrobras, empresa controlada pelo governo do Brasil, esteve na China a negociar planos com a Sinopec para terminar duas refinarias no nordeste do Brasil em 2018, segundo o ministério de minas e energia do Brasil.

“A Petrobras enfrenta dificuldades financeiras”, disse Edison Lobão, ministro de minas e energia do Brasil, que “recomendou” Graça Foster para ir à China negociar com a Sinopec, a fim de que a Sinopec ajude a construir as refinarias do Brasil.

Uma das causas das dificuldades financeiras da Petrobras foi o aumento da posse de carro entre as novas classes médias do país. Com o crescimento do consumo de diesel e gasolina a Petrobras foi obrigada a importar combustivel, uma vez que não tem capacidade de refino suficiente para atender à demanda doméstica.

A Petrobras importa combustível caro e acumula perda na venda por causa de limites de preços do governo sobre a gasolina no Brasil, tentando frear a inflação. Essa realidade coloca uma enorme pressão sobre a Petrobras, que agora é classificada como a companhia de petróleo de capital aberto mais endividada e menos lucrativa do mundo.

Simultaneamente, a má gestão do governo federal, conectando também a corrupção generalizada em todo quadro administrativo da Petrobras, têm produzido investimentos fugitivos da Petrobras. E é por isso que a Petrobras está pagando muito mais caro para construir novas refinarias no Brasil. Ou seja, as construções das refinarias estão sendo superfaturadas. Além disso, todo o petróleo descoberto pela Petrobras está sendo entregue para as empresas petrolíferas estrangeiras.

Agora, endividada, o governo Dilma que controla a Petrobras, busca uma parceria entre a Petrobras e a chinesa Sinopec para a construção das refinarias Premium I (Maranhão) e premium II (Ceará), com uma capacidade total 900.000 bpd.

O refino responde por cerca de 27% do elevado gasto de 237 bilhões de dólares do plano de investimentos da Petrobras para 2013-2017. É aqui que cresceram o olho gordo em cima de 64 bilhões de dólares, correspondente aos 27% do elevado gasto de 237 bilhões de dólares do plano de investimentos da Petrobras para 2013-2017.

Esses 64 bilhões de dólares dariam para construir seis refinarias do tipo Jabail, na Arábia Saudita. Construiriam seis refinarias com uma nova capacidade de refino de 2.400.000 bpd e ainda sobrariam 4 bilhões de dólares.

Senão vejamos:

A Saudi Aramco e a francesa Total construíram em Jabail, Arábia Saudita, uma refinaria com uma capacidade de refino de 400.000 bpd por US$ 10 bilhões. Ou seja, US$ 25,000 por barril (US$ 10 bilhões dividido por 400.000 bpd), menos de um terço de Abreu e Lima que é de US$ 87,000 por cada barril. É aqui que o superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, está explícito.

Metade de Jabail, a capacidade de refino da refinaria Abreu e Lima é de 230.000 barris de petróleo por dia (bpd). Até o momento atual, a previsão de custo da refinaria Abreu e Lima é US$ 20 bilhões. Mais de quatro vezes o custo previsto inicialmente. Ou seja, cada barril da capacidade de Abreu e Lima vai custar para a Petrobras cerca de US$ 87,000 (US$ 20 bilhões dividido por 230.000 bpd). Isso significa sete vezes mais do que Pasadena e duas a três vezes mais do que as modernas refinarias similares que estão sendo construídas em outras partes do mundo.

E descaradamente, Edison Lobão tenta camuflar a verdade real: “Estamos a importar gasolina e diesel não porque não temos petróleo, mas porque não temos refinarias”, tem dito ele insistentemente.