Notícia

8 em cada 10 brasileiros não sabem controlar despesas

Data da publicação: 28/01/2014
Autor(es): O Globo

Oito em cada dez brasileiros (81%) não sabem controlar os próprios gastos, segundo estudo divulgado nesta terça-feira pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Somente 18% dos entrevistados disseram ter conhecimento total sobre o fluxo de receitas e despesas no orçamento pessoal. A maioria (71%) tem apenas conhecimento parcial de suas finanças e outros 10% têm baixo ou nenhum conhecimento.

– É preocupante que um contingente tão expressivo da população não utilize um método sistemático para organizar as próprias contas – disse a economista do SPC, Luiza Rodrigues, em nota.

Outro dado alarmante apontado pelo trabalho é que mais de metade (51%) dos entrevistados que possuem conta em banco encerraram o mês anterior com a conta zerada ou no negativo.

A economista do SPC destaca ainda que os consumidores precisam utilizar métodos com os quais estejam familiarizados para registrar e monitorar as despesas:

– Algumas pessoas têm facilidade com planilhas ou aplicativos, mas outras não. O fundamental é sempre registrar tudo o que se ganha e se gasta e jamais confiar na memória, porque ela falha.

Mais de um terço dos entrevistados (36%) admitiu que não sabe o valor exato das contas a serem pagas no mês seguinte, e mais de metade (57%) também afirma não saber com precisão que gastos extras terão no próximo mês.

Com a falta de planejamento, os atrasos nas contas acabam sendo frequentes. Novamente, mais de um terço dos entrevistados deixou de pagar ou pagou com atraso alguma conta nos últimos 12 meses, principalmente cartão de crédito (31%) e despesas fixas, como água, luz e telefone (28%).

Cultura do imediatismo

O percentual dos entrevistados que admite ter comprado, nos últimos três meses, algum bem que fez com que excedessem seu limite financeiro, foi de 30%. Os itens líderes de parcelamento são as roupas e calçados (63%), eletrônicos (58%) e eletrodomésticos (44%).

Os analistas do SPC explicam que os consumidores brasileiros têm um comportamento imediatista, preocupando-se mais em satisfazer os desejos de consumo do que poupar – mesmo quando isso prejudica sua saúde financeira.

– De modo geral, o que prevalece é se a parcela cabe ou não no bolso, ao invés de pensar em quantos meses ele deveria economizar para comprar o produto à vista – explica Luiza Rodrigues.

A pesquisa foi realizada nas capitais brasileiras, com 656 consumidores. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais e a margem de confiança é de 95%.