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A CIA e o golpe no Irã em 1953

Data da publicação: 22/08/2013

A CIA reconhece seu papel no golpe de estado no Irã em 1953

A CIA reconheceu ter orquestrado o golpe de Estado que derrubou o primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh, em 18 de agosto de 1953, depois que ele nacionalizou o petróleo do país, de acordo com documentos recentemente liberados. O papel da agência de inteligência dos EUA foi um segredo durante anos e ainda assombra a relação entre os Estados Unidos e o Irã.

Nestes documentos internos da agência datados dos anos 1970, recentemente liberados e publicados nesta segunda-feira, agosto 19, o papel da CIA é claramente detalhado: “o golpe militar que derrubou Mossadegh e seu gabinete da Frente Nacional foi realizado sob a direção da CIA em um ato de política externa”, podemos ler.

LONGE DA IMAGEM DE “LOUCO” SENIL

O Primeiro-Ministro do Irã, em 1951, havia nacionalizado a Companhia Anglo-Iranian Oil, precursora da BP, provocando a ira de Londres, para quem o petróleo iraniano era considerado vital para a recuperação da economia britânica após a Segunda Guerra Mundial . Entretanto, no início de 1953, o presidente Dwight Eisenhower chegou ao poder nos Estados Unidos e mostrou-se mais compreensivo com as queixas britânicas que seu antecessor, Harry Truman.

Os documentos desclassificados da CIA mostram que a agência entendeu as razões para o posicionamento de Mossadegh, que estava longe da imagem de “louco” senil veiculada pelos meios de comunicação ocidentais. Políticos e empresas britânicas eram os responsáveis pela falta de respeito para com os iranianos vistos como “ineficientes, corruptos e egoístas”, diz ainda a CIA. Mas a agência justificou sua ação pelas contingências da Guerra Fria e o medo de que os soviéticos invadissem e tomassem o poder em Teerã se Londres enviasse seus navios de guerra como fez três anos depois, após a nacionalização do Canal de Suez.

UM “REVÉS PARA O DESENVOLVIMENTO POLÍTICO DO IRÔ

O xá Mohammad Reza Pahlavi foi colocado no trono e tornou-se um aliado próximo de Washington, até que ele foi derrubado pela Revolução Islâmica de 1979.

Em 2000, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, em uma tentativa de melhorar as relações com Teerã, disse que os Estados Unidos tinham “desempenhado um papel significativo” na derrubada de Mossadegh e considerava que o golpe tinha sido um “retrocesso para o desenvolvimento político do Irã”. O presidente Barack Obama também expressou uma posição semelhante após assumir o cargo.

FONTE: Le Monde com AFP (Agence France-Presse) – 19/08/2013