Mantega defende política de correção dos preços dos combustíveis
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta segunda-feira a forma como o governo vem administrando a política de preços da Petrobrás para a gasolina e o diesel. Em evento com empresários, Mantega afirmou que de novembro de 2011 até agora, os preços dos dois combustíveis foram reajustados em cerca de 30%, enquanto que a inflação no período foi de 15%. O ministro é presidente do Conselho da estatal.
Ele lembrou ainda que o governo usou a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) que incidia sobre a gasolina e o diesel para que parte desse aumento não chegasse às bombas.
— O problema é que a inflação não pode ficar em segundo plano — disse Mantega, depois de ouvir críticas de dirigentes do setor sucroalcooleiro sobre os impactos negativos da política de preços para a gasolina na competitividade do etanol.
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Segundo o ministro, com os reajustes de preços no início deste ano, os preços da gasolina e do diesel estariam em “linha com a paridade internacional”, mas a alta do câmbio com a perspectiva de fim das políticas de incentivo nos Estados Unidos embaralharam as coisas.
— Aí veio o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) e desalinhou o câmbio. E não se corrige isso de uma vez só — disse.
Perguntado sobre a forte queda nas ações da Petrobrás na abertura da Bolsa nesta segunda, refletindo a decepção dos investidores com os aumentos abaixo do esperado para a gasolina e diesel, e a rejeição da política de reajustes automáticos propostos pela Petrobrás, Mantega desconversou e disse que não sabia se os papéis estavam subindo e descendo.
Logo na abertura do evento, que debateu as perspectivas para a economia nos próximo dez anos, Mantega ouviu duras críticas do presidente da Cosan, Rubens Ometto Silveira Nato, que atacou as medidas intervencionistas do governo no setor de energia. Uma clara referência à política de subsídio imposta pela Fazenda à Petrobrás para os preços dos combustíveis.
— A inflação tem que ser levada a sério, mas não com intervenções. Acho que esses subsídios são muito maléficos para a economia — disse Ometto. — São maléficos para a Petrobrás também, principalmente num momento como o atual em que a empresa precisa fazer investimentos.
Com isso, continuou o presidente da Cosan, que é uma das maiores produtores de etanol e açúcar do mundo, o “etanol está sendo destruído”.
— Com a Cide se conseguiu equilíbrio, mas a Cide foi zerada e a continuar essa política, o futuro do etanol é sombrio — afirmou o empresário.
No debate que se seguiu com os empresários, Mantega voltou ao tema e lamentou o fato de o governo ter precisado abrir mão daquela contribuição. Acrescentando em seguida que a Cide poderá voltar a ser cobrada.
— E podemos, no momento oportuno, voltar com a Cide, para mim é um grande sacrifício, são R$ 12 bilhões de arrecadação que eu perdi — disse.
Mantega, porém, não quis precisar quando o tributo poderia retornar.
— Quando a inflação permitir — disse.