A Petrobrás está próxima de fechar a venda de mais um ativo dentro do seu plano de desinvestimento que, ao todo, somará US$9,9 bilhões até 2017. O negócio, aprovado com restrições pelo Conselho de Administração da estatal, depende ainda do parecer de um segundo banco sobre o valor do ativo, que deve ser concluído no prazo de um mês.
Sílvio Sinedino, conselheiro representante dos funcionários, conta que a exigência partiu dele e dos representantes dos acionistas minoritário, José Monforte e Mauro Cunha, em mais um episódio de desentendimento com o grupo indicado pelo governo federal.
O argumento dos três conselheiros, pondera Sinedino, é de que, com o modelo atual de venda, a estatal não alcançará os melhores preços de mercado e comprometerá a transparência das negociações, exatamente em um momento de acusações de corrupção na companhia.
Sinedino defende o modelo de licitação e não de carta convite, como está sendo adotado, em que um banco é contratado para comandar o negócio, definir o valor do ativo e ainda compará-lo às propostas apresentadas pelas empresas.
Pelo modelo atual, ressalta Sinedino, a Petrobrás perde a chance de promover mais concorrência e conseguir preços melhores. Mas, diante a resistência dos conselheiros indicados pelo governo para alterar as condições do plano de desinvestimento, o consenso foi pela contratação de um segundo banco avaliador do ativo, disse Sinedino.
“Todo o mercado sabe que a Petrobrás está em situação de constrangimento financeiro e que irá se esforçar para vender seus ativos. Anunciar o programa de desinvestimento não é um bom negócio”, diz o representante dos funcionários.
Ele conta que na reunião em que a venda do ativo foi anunciada, os conselheiros representantes do governo chegaram a comemorar a proposta apresentada, por superar o valor considerado justo pelo banco avaliador. Mas tiveram que voltar atrás quando os três conselheiros exigiram uma segunda avaliação.
A contestação recebeu o apoio do presidente do Conselho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele teria concordado também que a licitação seria o meio mais rentável para a estatal. Mas foi voto vencido pelo restante do Conselho, sob o argumento de que o processo levaria tempo demais e que a empresa perderia uma grande oportunidade de se desfazer de um negócio a um preço acima do considerado pelo banco avaliador.
No cálculo da validade do negócio, a medida utilizada foi a geração de caixa, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Foram comparados quantos Ebitdas foram gastos na compra da unidade e quantos seriam pagos por ela.
Pela avaliação do banco, a relação é favorável à companhia, ou seja, o valor da venda será maior que o da compra. Mas na visão do representante dos funcionários no Conselho, é possível que a utilização da medida de geração de caixa não seja a mais correta para avaliar o negócio, por não refletir, por exemplo, variações cambiais e inflação. Por isso, Sinedino pede que a taxa de retorno e os valores correntes envolvidos na negociação sejam revelados
FONTE: Agência Estado