A presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória que autoriza o aumento de 5% para 6% na mistura do biodiesel ao óleo diesel a partir de julho. Em novembro, esse percentual passará a 7%. O governo garante que a medida permitirá a redução de importações de 1,2 bilhão de litros de diesel ao ano pela Petrobrás, uma economia de cerca de US$ 1 bilhão para os cofres da Companhia.
O uso do biodiesel é visto com simpatia devido ao menor impacto ao meio ambiente, já que reduz entre 78% e 100% o saldo da emissão líquida de CO2. A própria Petrobrás investirá US$ 2,3 bilhões até 2018 para ampliar suas atividades na produção de etanol e biodiesel. No entanto, o ex-deputado federal Ricardo Maranhão, conselheiro da AEPET, pondera sobre a possível pressão dos produtores privados, que aumentaram capacidade instalada e precisam dar vazão à produção.
“A manchete do jornal O Globo diz que, com a medida, o governo vai ajudar a Petrobrás, quando a realidade é que os produtores estão com biodiesel sobrando. Existem também ponderações dos revendedores de que o biodiesel é produto instável, por sofrer influência da temperatura, de determinadas peças metálicas, do sacolejo do caminhão, e pode danificar motores”, comenta, lembrando que, quando isto acontece, o revendedor é quem ouve as reclamações do consumidor. Maranhão argumenta também que o biodiesel é mais caro que o diesel, o que poderá minimizar o ganho da Petrobrás. “Outro aspecto a considerar é que a ideia inicial era o uso de componentes vegetais, produzidos pela agricultura familiar, mas hoje a soja cultivada em latifúndios, com preço formado por grandes comerciantes e especuladores internacionais, representa 74% da composição do biodiesel”, resumiu.