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Banco dos Brics ajudará a minar influência dos EUA

Data da publicação: 02/06/2014

Os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, países que compõem os Brics, lançarão oficialmente no próximo dia 15 de julho, em Fortaleza, o Banco dos Brics, um banco de desenvolvimento que terá a missão de ajudar a atender a crescente demanda por financiamento de projetos que não tenham sido totalmente atendidos por instituições multilaterais globais como FMI e Banco Mundial.

O novo banco, com orçamento de US$ 100 bilhões, deverá ser a maior influência das economias emergentes no cenário financeiro global, hoje dominado por Estados Unidos e Europa. Com um capital inicial de US$ 50 bilhões, a instituição financeira ainda terá de ser ratificada pelos parlamentos dos países e realizará, a partir de então, empréstimos em dois anos, segundo a Agência Reuters.

Na opinião do economista Paulo Passarinho, apresentador do Programa Faixa Livre, está em andamento uma estratégia de articulação institucional fora da área de influência dos Estados Unidos e, futuramente, do dólar como moeda única de reserva.“É uma articulação importante, embora a princípio seja difícil fugir das transações em dólar. Mas o novo banco ajudará na contraposição às políticas norte-americanas”, pondera Passarinho, que integra o Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ). O economista aponta também para as diferentes posturas assumidas por cada integrante dos Brics no que tange às relações exteriores. “O Brasil está na área geopolítica dos Estados Unidos e a política brasileira me parece cada vez mais subordinada, mas não deixa de ser uma diversificação da dependência”, definiu, observando que o fato de integrar o Brics não significa que o Brasil possa ter a mesma estratégia da Rússia, por exemplo. “E é natural que assim seja”, acrescentou.