O desemprego de jovens entre 15 e 24 anos na América Latina caiu entre 2005 e 2011, revela o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “Trabalho Decente e Juventude: Políticas para a ação”. A taxa de desocupação passou de 16,4% a 13,9%, no período, embora continue sendo o dobro da taxa geral. Pelo retrato fornecido pela OIT, cerca de 7,8 milhões de jovens buscavam trabalho sem encontrar. Os desempregados juvenis representavam 43% do total de desocupados na região. Ainda era grande a precaridade de trabalho: seis de cada 10 jovens ocupados estavam na informalidade.
O bom quadro geral para o mercado de trabalho dos jovens tem relação com o fato de a grande maioria dos países da América Latina ter conseguido um bom desempenho durante a crise financeira internacional, segundo a OIT.
O economista do Dieese-RJ, Jardel Leal, falou à Imprensa da AEPET sobre esta pesquisa da OIT. Ele disse que o jovem na América Latina tem um grande índice de rotatividade no posto de trabalho e a qualificação desta mão de obra não segue uma visão humanista de um aprendizado no sentido de capacitação do trabalhador para a qualificação para acidadania, mas simplesmente para o mercado de trabalho. Segundo Jardel em vários países a taxa de desemprego é muito alta entre os jovens e existe uma baixa remuneração entre estes indivíduos que não tem uma preparação para a vida no sentido em que reproduz a baixa escolaridade destes jovens e a precarização da abertura de vagas no mercado de trabalho.
“Se compararmos ao sistema sulcoreano onde as empresas investem na formação da mão de obra para uma melhoria das condições de vida, no Brasil há uma individualização da carreira profissional onde é o trabalhador que investe no seu próprio curriculo vitae para almejar uma melhor capacitação no mercado de trabalho.”Concluiu o economista do Dieeese-RJ.
“Mais educados que gerações anteriores, com um melhor manejo das novas tecnologias e uma maior adaptabilidade em comparação aos adultos, teriam mais oportunidades de chegar a melhores condições de trabalho e trajetórias trabalhistas ascendentes. No entanto, segundo uma série de dados da OIT sobre trabalho indecente e juventude 2013, uma série de obstáculos impede o aproveitamento pleno das vantagens. Apesar dos êxitos alcançados, alguns indicadores laborais, a precariedade da inserção trabalhista de jovens continua sendo uma característica persistente na região”, diz o relatório.
As mulheres jovens ainda constituem a maioria entre os excluídos do mercado de trabalho. A taxa de desemprego delas fica em 17,7%, enquanto que a dos homens está em 11,4%. Entre os jovens assalariados, somente 48,2% tinham contrato escrito.
Parcela que só estuda aumenta
O relatório aponta ainda que aumentou a escolaridade dos jovens no período. A fatia daqueles que somente estudavam teve um incremento de 32,9% em 2005 a 34,5% em 2011. Por outro lado, estimativas apontam que 21,8 milhões de jovens não estudavam nem trabalhavam na região, os “nem-nem”. Um em cada cinco jovens da região estava na condição de “nem-nem”. Entre os “nem-nem”, 34,2% estavam entre os mais pobres e 10,5% entre os mais ricos.
A maior parte dos jovens estava empregada nos setores de comércio e de serviços (50%), seguido pela Agricultura e Mineração (18,6%) e Indústria (14,3%). Segundo o relatório, 4,6 milhões de jovens não trabalhavam, não estudavam nem buscavam empreso e tampouco faziam tarefas domésticas.
O relatório elogia o Brasil por ter aprovado leis de aprendizagem que promovem formação dual e a incorporação de jovens no mercado de trabalho. Assim como Paraguai, Peru, Honduras, El Salvador e Nicarágua, o Brasil também é citado por medidas específicas para promover a criação de programas de capacitação e suporte de negócios, incubadoras de empresas e acesso a financiamento e serviços financeiros. Segundo o relatório, no Brasil a maior parte dos jovens ganhava até dois salário mínimos.