De acordo com o consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo César Ribeiro Lima, o valor de compra da refinaria de Pasadena foi compatível com o mercado. “Penso que, em 2006, o valor de aquisição de 50% das ações referentes ao complexo de Pasadena, US$ 359,2 milhões, foi compatível com o mercado. Considerando que haveria um revamp (modernização) para contemplar uma carga de refino com alto percentual de petróleo Marlim, o valor presente líquido (VPL) seria até maior”.
Lima, no entanto, pondera que o cenário mudou dois anos mais tarde, com a descoberta da província do Pré-Sal e com a crise financeira. “Com essa descoberta, houve necessidade de grandes investimentos nos programas exploratórios mínimos e nos planos de desenvolvimento dos campos dessa província. Nesse novo cenário, as margens de refino com o revamp da refinaria de Pasadena deixaram de ser tão atrativas quanto em 2006. Reduziu-se, então, o interesse da Petrobrás na realização do revamp.”
Na avaliação de Lima, se o revamp de Pasadena tivesse ocorrido, o complexo deveria estar apresentando alta rentabilidade. “Mas mesmo sem ter ocorrido, é alta a rentabilidade atual. Conclui-se, então, que a aquisição de Pasadena, em 2006, foi um bom negócio para a Petrobrás e continua sendo atualmente. Apenas no período pós-crise de 2008, é que os resultados foram ruins”.
Dessa forma, ele crê que a Diretoria Executiva e o Conselho de Administração da Petrobrás não praticaram atos lesivos ao patrimônio da empresa. “O suposto prejuízo de US$ 580,4 milhões, que consta do Acórdão 1927/2014 – Plenário do TCU, causado à Petrobrás por administradores e diretores da empresa precisa ser reavaliado, pois carece de uma fundamentação técnica mais sólida”, conclui, ressalvando que ainda não analisou as demais parcelas para se chegar ao suposto prejuízo de US$ 792 milhões.