Russos e chineses acabam de assinar acordo de fornecimento de gás (da Rússia para a China) por 30 anos. A operação totalizará 292 bilhões de euros no final do período. A medida está sendo considerada um rude golpe na União Européia (UE), ao garantir uma importante alternativa à Rússia diante das atitudes hostis dos europeus contra o país por pressão dos Estados Unidos.
Já a Europa, que importa 30% do gás da Rússia, fica numa posição delicada, sem perspectivas de encontrar um substituto à altura no caso de perder seu principal fornecedor. Pelo acordo, a China deve receber 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano. O gás será transportado pelo gasoduto Poder da Sibéria, que chegará à China pela fronteira Leste com a Rússia e abastecerá províncias chinesas do Norte.
Os dois países também deram um importante passo para reduzir a dependência do dólar como moeda de reserva de internacional. O economista Adriano Benayon, da Universidade de Brasília (UnB), vê a aproximação das duas potências como importante passo para reduzir o excessivo poder dos Estados Unidos sobre os destinos do planeta.
“Desde que Richard Nixon (ex-presidente dos Estados Unidos), em 1971, rasgou os acordos de Bretton Woods, pelos quais os EUA assumiram o compromisso de trocar dólares à taxa fixa de US$ 35,00 por onça de ouro, o dólar passou a ser mais nocivo ao sistema internacional, conferindo poder colossal aos norte-americanos. Mas os EUA pensarão duas vezes antes de agredir militarmente”, pondera, acrescentando que agora o rublo (russo) e o yuan (chinês) serão usadas nas trocas entre os dois países, em substituição ao dólar.
“Rússia e China têm como retaliar, com intensidade suficientemente dissuasória, e na guerra convencional certamente os EUA e satélites não teriam como manter eventuais avanços adentro do território de um e de outro daquelas potências”, finaliza.