O governo do Rio anunciou que não vai recorrer da decisão que suspendeu a desapropriação da área da Refinaria de Manguinhos, decretada em 2012. A ideia da atual administração estadual era tornar o espaço residencial, apesar de inúmeros problemas, inclusive contaminação do solo, apontados em estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Manguinhos, única refinaria privada do país, voltou a produzir no final de 2013, mas com capacidade limitada (cerca de 7,3% apenas) por falta de capital de giro. A refinaria tem dívida tributária de R$ 530 milhões, na época da desapropriação, e há suspeitas no mercado de que mantém a estratégia de pagar com precatórios os impostos sobre a venda de combustíveis. Outro obstáculo ao aumento da produção seria a política de preços para combustíveis praticada pelo atual governo.
O petroleiro aposentado Antonio Furtado, diretor do Sindipetro-RJ, que trabalhou em Manguinhos, relata que a categoria questionou o fechamento da refinaria e a proposta do governo do estado para a área. “Questionamos até pelo desemprego que causou. Legalmente, o governo do estado não poderia desapropriar uma área que pertence à União, mais especificamente à Marinha”, criticou.
O diretor do Sindipetro-RJ disse que os trabalhadores aguardam a divulgação detalhada dos planos da empresa para que Manguinhos volte a funcionar a plena carga e, como conseqüência, aumente a oferta de empregos. Com relação ao estudo da Fiocruz, vizinha de Manguinhos, a descontaminação do terreno para uso habitacional foi considerada uma “meta inatingível”. De acordo com matérias veiculadas na época, trazendo entrevistas com a engenheira química e pesquisadora Rosália Maria de Oliveira, coordenadora do estudo, já foi detectada na área a presença de poluentes acima dos parâmetros toleráveis para um empreendimento residencial. O que significaria colocar centenas de pessoas em risco. A equipe responsável pelo Diagnóstico Socioambiental de Manguinhos sugeriu ao governador Sérgio Cabral que abandonasse o plano de erguer unidades residenciais no terreno de 500 mil metros quadrados. Cabral pretendia criar um bairro-modelo, com apartamentos, áreas de lazer, escolas e postos de saúde logo após a ocupação das favelas da região pela Polícia Militar.