Depois de 14 anos, pescadores artesanais impactados pelo vazamento de óleo na baía de Guanabara continuam sem indenização da estatal petroleira
Pescadores de diversas praias da Baía de Guanabara e representantes de movimentos sociais participaram do ato público “14 anos do vazamento da Petrobrás na baía de Guanabara, sem pagamento da indenização financeira a milhares de pescadores artesanais impactados”. A manifestação foi realizada na manhã desta terça-feira (18), na Avenida Chile, Centro do Rio de Janeiro, em frente ao Edifício Sede da Petrobrás. O Fórum dos Pescadores e Amigos do Mar, formado por pescadores artesanais, ecologistas, sindicalistas e movimentos sociais, organizou o protesto para rememorar os fortes impactos ambientais ao ecossistema da Baía de Guanabara e os prejuízos econômicos sofridos pelas comunidades pesqueiras impactadas pelo maior acidente ecológico do país, ocorrido no dia 18 de janeiro de 2000 em duto da PETROBRÁS que despejou 1,8 milhões de litros de óleo nas águas da Baía.
Foram levados para a porta da empresa redes de pesca sujas de óleo, cartazes e faixas questionando a omissão e a falta de sensibilidade social da Petrobrás com os pescadores que, desde o vazamento, perderam renda e trabalho e vivem com baixa qualidade de vida. Muitas mulheres viúvas de pescadores vivem em situação de extrema pobreza e com a incerteza se serão um dia indenizadas.
Passado 14 anos do vazamento, até hoje a estatal petroleira não pagou a indenização financeira, estimada em mais de R$ 1 bilhão, que deve a milhares de pescadores da Baía de Guanabara cujo valor foi determinado pela Justiça em ação. O acidente ococrreu no oleoduto que liga a REDUC (refinaria Duque de Caxias) ao terminal da Ilha d’Água, na Ilha do Governador, e que na época sequer tinha licença ambiental para operar. Esse vazamento reduziu em 90% a produção pesqueira na baía.
Entre os movimentos sociais e entidades que participaram da manifestação estão o Sindipetro-RJ, a FIST, a CSP-Conlutas e o Fórum dos Atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica das Cercanias da Baía de Guanabara. Os deputados estaduais do PSOL, Paulo Ramos e Janira Rocha, também compareceram.
Até o fechamento desta matéria, a assessoria de comunicação da Petrobrás não retornou o contato feito por nossa equipe de reportagem para apurar a versão da companhia sobre as denúncias colocadas pelos manifestantes.