Foi por pouco. Com uma alta de apenas 0,03%, a bolsa brasileira conseguiu marcar seu sétimo pregão consecutivo de ganhos ontem, repetindo sequência vista pela última vez em setembro do ano passado. As ações da Petrobrás foram as grandes “culpadas”, ajudando a Bovespa a ignorar completamente o cenário negativo nos mercados internacionais.
A proximidade do vencimento de opções sobre ações, na segunda-feira, ajudou amplificar a valorização dos papéis da estatal. Na ponta negativa o destaque foi OGX, que trouxe prejuízo bilionário no segundo trimestre e ainda vai deixar o índice MSCI Brazil.
Em Wall Street, as bolsas mergulharam com a volta da preocupação dos investidores de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) comece a reduzir os estímulos à economia já em setembro. O clima negativo lá fora foi provocado pelo recuo acima do esperado do número de pedidos de seguro-desemprego e também pela leitura do índice Empire State de atividade industrial.
O Ibovespa terminou em alta de apenas 0,03%, aos 50.908 pontos, depois de marcar máxima aos 51.452 (+1,09%). O volume financeiro foi forte para um pregão sem vencimento de opções, somando R$ 10,485 bilhões. Petrobrás PN avançou 5,19%, a R$ 17,83, com giro de R$ 1,4 bilhão. A ação ON da estatal ganhou 5,89%, para R$ 17,07, após negociar R$ 346 milhões. Os papéis reagiram à matéria de capa do Valor ontem.
Para reduzir a pressão sobre a Petrobrás, o governo avalia duas medidas: mudar a legislação para desobrigar a estatal de ser operadora e de deter pelo menos 30% de cada poço de petróleo do pré-sal e aumentar, ainda que parceladamente, os preços dos combustíveis. O aumento dos derivados só deve ser aprovado se couber no orçamento de inflação deste ou do próximo ano, disse uma fonte do Palácio do Planalto à jornalista Cláudia Safatle. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que a Petrobrás não deve reduzir sua fatia mínima de 30% nos consórcios do pré-sal.
“O governo está numa sinuca. Ou aumenta a gasolina ou reduz a participação mínima da Petrobrás no pré-sal. Sem pelo menos uma dessas duas soluções, a empresa não conseguirá cumprir seus planos sem comprometer a alavancagem”, alerta o estrategista da SLW Corretora, Pedro Galdi.
O fato é que a disparada das ações da Petrobrás a dois dias do vencimento de opções sobre ações trouxe de volta ao jogo alguns papéis que pareciam ter virado pó, como a opção de compra de Petrobrás PN a R$ 18,00 (cujo preço de exercício ajustado é R$ 17,34). O prêmio do papel, que, fechou a R$ 0,12 na quarta, disparou 341% ontem, para R$ 0,53. “Essa notícia de última hora pegou muito lançador de opção [o investidor que ofereceu o ativo e terá de entregar as ações no vencimento] de calças curtas”, comentou um operador, prevendo uma possível nova onda de compras na segunda-feira.