A atuação do presidente da AEPET, Sílvio Sinedino, no Conselho de Administração da Petrobrás, no caso da política de desinvestimento continua repercutindo na imprensa. Desta vez o jornal Valor Econômico que entrevistou o conselheiro (a matéria está publicada abaixo).
Sinedino segue afirmando que é contra a política de desinvestimento e da forma como ela é feita, se ater a casos específicos.
Petrobrás prepara sua saída da Gasmig
(Valor Econômico, 24 de junho)
Um dos ativos cuja venda não foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobrás na semana passada é a participação de 40% da estatal na distribuidora Gasmig. A informação, obtida pelo Valor, não é confirmada pela estatal. Sílvio Sinedino, representante dos funcionários no CA da Petrobrás não menciona os ativos à venda. Ele disse ao Valor que é contra venda de ativos da Petrobrás por se tratar de uma medida que, a seu ver, está sendo colocada em marcha por falta de dinheiro e não por se tratar de decisão estratégica.
“Sou contra. Além dela (Petrobrás) estar vendendo por falta de dinheiro, acho que não pode ser feito sem licitação, só por carta convite, como está acontecendo”, disse Sinedino ao Valor.
Sem dar detalhes, o conselheiro afirmou que um dos motivos que levaram o conselho a não aprovar o negócio foi a existência da avaliação por apenas um banco. “A gente achou que precisava de mais”, disse. “O Conselho achou que uma licitação é uma boa medida”. Agora, segundo fontes a par do negócio, a Petrobrás está buscando uma segunda avaliação da Gasmig para levar ao conselho de administração, que é presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Também presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), Sinedino ocupa pela segunda vez uma vaga no conselho da Estatal. Ele exerceu o cargo entre 2012-2013, perdeu a eleição seguinte e foi reeleito agora para um novo mandato no biênio 2014-15
Na sexta-feira, a Petrobrás divulgou , tarde da noite, um comunicado informando que prevê desenvestimentos de ativos no exterior e no Brasil e que, entre 2014 e 2018, estão previstas vendas de US$ 5 bilhões a US$ 11 bilhões, “a depender da evolução dos indicadores financeiros”. Ainda segundo o comunicado, a companhia “está analisando oportunidades de desinvestimentes alinhados aos objetivos traçados em seu planejamento estratégico”.
A venda da participação na Gasmig evitará que a Petrobrás coloque recursos para construir um gasoduto de 470 quilômetros para entregar gás para a nova unidade de fertilizantes da própria petroleira que será construída próxima a Uberaba, além de aumentar a malha da empresa mineira. No início da semana passada, a Cemig, que controla a Gasmig com 60%, confirmou uma associação com a espanhola Gás Natural do Brasil, uma gigante do gás no Brasil.
No comunicado, a Cemig afirmava que a nova empresa é uma plataforma de consolidação de ativos e investimentos em projetos de gás natural, sem informar valores de investimento ou a divisão societária. Além da Gasmig, a GNB será formada pelas distribuidoras CEG, Ceg Rio e a Gás Natural Fenosa São Paulo Sul, devendo superar em tamanho a paulista Comgás, a maior distribuidora do país.
Como a Petrobrás não pretende investir mais recursos elevados na distribuição de gás, sua saída da Gasmig permite que os investimentos sejam dirigidos para a exploração e produção e a construção dos gasodutos que trarão gás do pré-sal até a costa.
No atual plano de negócios da Petrobrás estão previstos investimentos investimentos de US$ 5 bilhões em gasodutos e e estações de tratamento de gás do pré-sal até 2018. Em um horizonte maior, até 2030, estão previstos US$ 590 milhões para garantir a continuidade , confiabilidade e segurança operacionais da rede existente, como informa a estatal. O Brasil queimou 4,6 milhões de metros de gás cúbicos por dia em abril.