Depois do leilão de Libra chega ao fim o Ocupa Petrobrás
Ativistas retiram barracas mas a luta contra a privatização do petróleo continua
O acampamento na frente do Edifício Sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, chegou ao fim nesta tarde de terça (22). O Ocupa Petrobrás, nome pelo qual o movimento ficou conhecido, começou em 23 de setembro e reivindicava o cancelamento do leilão do campo de Libra e um Acordo Coletivo de Trabalho melhor para os trabalhadores petroleiros. Além do empenho do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro na mobilização, outros movimentos sociais integraram a ocupação. A maior parte dos acampados fazia parte da Frente Internacionalista dos Sem Teto (FIST), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Ocupa Câmara.
O diretor do Sindipetro-RJ José Carlos Correa destacou o crescimento e a visibilidade do movimento. Ele celebrou que a ocupação que começou com aproximadamente 30 pessoas terminou com quase 200 dormindo no local, sem contar os inúmeros apoiadores que circulavam e engrossavam as atividades.
– Nesse um mês de acampamento conseguimos chamar atenção, abrir espaço na grande mídia. Além da cobertura da mídia nacional, tanto das grandes corporações, quanto da imprensa alternativa, passaram por aqui jornalistas de rádios e televisões da França, Alemanha, Venezuela, entre outro países – relata Correa, que agradece o empenho dos funcionários do sindicato que se desdobraram para garantir a logística da ocupação e da categoria petroleira que financiou com descontos de seus salários esse importante movimento: “Os petroleiros não aceitam a privatização do petróleo brasileiro e sabem que se esse recurso fosse bem direcionado pelo Governo poderia mudar nosso país.”
Números do acampamento
O Sindipetro-RJ informa que de 23 de setembro a 22 de outubro, período de duração da ocupação, foram distribuídos cerca de 200 mil panfletos denunciando a privatização do pré-sal brasileiro. As barracas colocadas na passarela entre o Edise e o BNDES começaram ocupando 50 metros quadrados e hoje tomava 225 m². De 60 refeições por dia pulou para 350. O consumo semanal de água chegava a 50 garrafões de 20 litros e o de café alcançava 280 litros.
Além do que, nesses 30 dias de acampamento, o Ocupa Petrobrás sediou debates diversos, atividades culturais, protestos, além de se somar a todas as mobilizações que tomaram a cidade no último mês. O diretor da Secretaria Geral do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, explicou que o planejamento da ocupação era de encerramento depois do leilão ou antes, caso a presidenta Dilma Rousseff cancelasse a licitação de Libra.
– A ocupação na Petrobrás que durou 30 dias cumpriu seu papel. Deu visibilidade a campanha Todo Petróleo Tem que Ser Nosso. Nós estamos suspendendo o acampamento, mas ele pode voltar a qualquer momento. Foram dias duros de resistência contra a repressão policial e as adversidades climáticas.
A campanha para barrar a privatização do pré-sal vai continuar, inclusive para suspender o leilão de libra que foi feito somente com um consórcio, sem haver concorrência. Vamos seguir defendendo o monopólio estatal do petróleo e a Petrobrás 100% pública, e enquanto nosso projeto maior não se concretiza precisamos assegurar a ampliação do percentual de partilha para a União e aumentar a participação da Petrobrás, como operadora única. Semana que vem teremos uma plenária do movimento contra a privatização do petróleo para debater os próximos passos – convoca Cancella.