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Terceirizados já são 360 mil

Data da publicação: 03/06/2014
Autor(es): Rogerio Lessa

A participação de 80% de terceirizados na força de trabalho da Petrobrás foi destaque no jornal O Globo da última segunda-feira. Também o fato de a participação dos concursados ter caído à metade nos últimos 12 anos, apesar dos 18 concursos públicos realizados desde 2003, mereceu destaque na matéria. De fato o avanço da terceirização foi radical: um crescimento superior a 630%. Já o número de contratados por concurso, que em 2002 eram 45% do total, hoje são apenas 20%.

O presidente da AEPET, Silvio Sinedino, criticou enfaticamente a situação, que para ele cria uma massa de trabalhadores pouco comprometida com a Companhia. “Os terceirizados sabem que não têm perspectiva de longo prazo na empresa e a dedicação não pode ser a mesma dos que ingressaram por concurso”, opinou, acrescentando que a terceirização abre espaço para contratações via apadrinhamento político e para o nepotismo.

“Há casos de famílias inteiras prestando serviços à Petrobrás através dessa forma precária de relação trabalhista”, denuncia Sinedino, que é representante eleito dos funcionários no Conselho de Administração da Companhia. Ele acrescenta que muitas vezes as empresas contratantes deixam para a Petrobrás uma herança de ações trabalhistas perdidas. “Essas empresas têm grande poder de pressão sobre os trabalhadores, forçando-os, muitas vezes a se demitirem ao final do contrato, se eximindo de pagar, por exemplo, a multa sobre o FGTS”, exemplificou.

Outro caso destacado pelo presidente da AEPET é o de trabalhadores aprovados em concursos e ainda não convocados pela Companhia, que atuam como terceirizados enquanto esperam. “A Petrobrás se resume a informar que nos últimos anos contratou 32 mil pessoas através de concurso. O Ministério Público do Trabalho tem acompanhado o número expressivo de aprovados em concursos que ainda não foram chamados”, informou.