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Governo quer mais álcool na gasolina

Data da publicação: 05/06/2014

Apesar do alerta de fabricantes de veículos, o governo pretende elevar a participação do etanol na gasolina dos atuais 25% para 27,5%. A Petrobrás seria beneficiada, pois teria que importar menos combustível. O setor sucroalcooleiro também ganharia com o aumento da demanda. No entanto, o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, favorável à redução das importações de combustíveis pela Petrobrás, concorda que a participação exagerada do álcool na gasolina pode causar prejuízos aos consumidores, já que apenas 42% da frota brasileira de automóveis usam apenas gasolina, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Em tese, esse aumento do álcool na mistura com a gasolina ajuda o país, pois contribui para o desenvolvimento de um combustível renovável. Em conseqüência ajuda a Petrobrás porque evita que o governo faça a empresa perder mais dinheiro comprando gasolina no exterior e vendendo mais barato para seus concorrentes. Mas os carros fabricados até 2008 ainda não eram bicombustíveis”, recorda Siqueira, acrescentando que motores não preparados para o álcool apresentam problemas de corrosão.

Por sua vez, o ex-deputado federal Ricardo Maranhão, que é conselheiro da AEPET, recorda que o subsídio à gasolina, decorrente da manutenção de preços em níveis artificiais, vem causando prejuízos devastadores à indústria do etanol. “Segundo a Sociedade Rural Brasileira, o congelamento artificial do preço da gasolina, a pretexto de controlar a inflação, trouxe uma série de prejuízos, não só para as contas do setor sucroenergético, como também para Petrobrás, a economia do país, o meio ambiente e para a saúde dos brasileiros”, avalia. Maranhão acrescenta que foram extintos cerca de 100 mil empregos por conta dessa política. “Houve também perda de competitividade do etanol, que apresentou queda no consumo de 40%, no período de 2009 a 2012”.

São mais de 400 as usinas e destilarias que produzem álcool (etanol) no Brasil, gerando 2,5 milhões de empregos diretos, 80 mil fornecedores, 600 milhões de toneladas de cana processadas por ano, com impactos em 600 municípios.