Leilão do gás: ANP esquece risco ambiental, Petrobrás leva maioria dos blocos
Cerca de 30% dos blocos oferecidos pela ANP foram arrematados hoje no leilão do gás. 72 foram vendidos entre 240 blocos postos em licitação. A Petrobrás vai participar da exploração da maior parte, 49 blocos ao todo. A AEPET se juntou a movimentos sociais e chamou atenção para os problemas ambientais que a exploração do gás não convencional pode trazer ao país.
A área mais disputada foi a bacia do Paraná, que possui grande potencial para produção do gás de folhelho(gás de xisto). Dezesseis dos dezenove blocos leiloados foram arrematados. Nesta bacia a Petrobrás levou cinco blocos como operadora de um consórcio formado com a Cowan, em que cada uma ficou com 50% do gás. Além disso a estatal arrematou sozinha mais duas áreas.Um consórcio formado pelas empresas Petra (30%), Tucumann (10%), Copel (30%) e Bayar (30%) ficou com outros quatro blocos.
Abaixo da bacia do Paraná está a maior reserva de água doce subterrânea do mundo, o aqüífero Guarani. Enquanto o governo leiloava as jazidas de gás no hotel Windsor da Barra da Tijuca, integrantes da AEPET, do Sindipetro e diversos movimentos sociais alertavam para o grande risco de poluição de imensas reservas de água potável postas em risco devido ao fluido altamente tóxico usado para obtenção do gás de Xisto.
O vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, lembrou que a exploração do gás de xisto é controversa. “Com a tecnologia disponível nós não temos como ter segurança de que os nossos aqüíferos não serão poluídos, por isso esse leilão não tem nenhum sentido. As exigências que a ANP colocou na legislação não são suficientes para proteger o país. Nós já temos mais de 60 bilhões de barris de petróleo só no pré-sal, então não precisamos correr esse enorme risco ambiental com o gás de folhelho”, analisou Siqueira.
A bacia que teve o maior número de blocos arrematados foi a de Sergipe-Alagoas. A presidente da ANP, Magda Chambriard, mostrou animação com o resultado. “A Bacia do Sergipe brilhou. Os blocos atraíram grandes empresas, como a Petrobrás, além de empresas de porte médio. O Sergipe está de parabéns ,afirmou Chambriard, que não citou o risco ambiental em nenhum de seus discursos durante a 12ª rodada. No total, 12 empresas fizeram ofertas, sendo quatro delas estrangeiras e as outras oito nacionais.
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Juros em alta
O Banco Central voltou a elevar a taxa Selic, a taxa básica de juros, dando sequência a um processo iniciado em abril desse ano. Na ocasião, a Selic estava em 7,25% ao ano e foi elevada para 7,5%. Agora, esta taxa chega a 10%, após seis consecutivas elevações.
Com essas medidas, somos o país que mais elevou a sua taxa básica de juros ao longo de 2013 e nos mantemos como o país com a mais elevada taxa real de juros, do mundo. Uma brutal contradição, para um país que, segundo o próprio governo, necessita “acelerar o seu crescimento econômico”. Afinal, o custo do dinheiro não é uma variável fundamental para o maior, ou menor, incentivo a novos investimentos produtivos?
As opiniões expressas são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente as posições da AEPET.
COTAÇÃO DO PETRÓLEO
O barril Tipo Brent estava em US$ 111,31 nesta 5ª feira (28/11). Por seu lado o óleo leve negociado em Nova Iorque foi para US$ 92,30 o barril (Oil-Price.Net).
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