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Leilão do gás: ANP esquece risco ambiental, Petrobrás leva maioria dos blocos

Data da publicação: 28/11/2013

Cerca de 30% dos blocos oferecidos pela ANP foram arrematados hoje no leilão do gás. 72 foram vendidos entre 240 blocos postos em licitação. A Petrobrás vai participar da exploração da maior parte, 49 blocos ao todo. A AEPET se juntou a movimentos sociais e chamou atenção para os problemas ambientais que a exploração do gás não convencional pode trazer ao país. A área mais disputada foi a bacia do Paraná, que possui grande potencial para produção do gás de folhelho (gás de xisto). Dezesseis dos dezenove blocos leiloados foram arrematados. Nesta bacia a Petrobrás levou cinco blocos como operadora de um consórcio formado com a Cowan, em que cada uma ficou com 50% do gás. Além disso, a estatal arrematou sozinha mais duas áreas.

Um consórcio formado pelas empresas Petra (30%), Tucumann (10%), Copel (30%) e Bayar (30%) ficou com outros quatro blocos. Abaixo da bacia do Paraná está a maior reserva de água doce subterrânea do mundo, o aqüífero Guarani. Enquanto o governo leiloava as jazidas de gás no hotel Windsor da Barra da Tijuca, integrantes da AEPET, do Sindipetro e diversos movimentos sociais alertavam para o grande risco de poluição de imensas reservas de água potável postas em perigo devido ao fluido altamente tóxico usado para obtenção do gás de Xisto. O vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, lembrou que a exploração do gás de xisto é controversa. “Com a tecnologia disponível nós não temos como ter segurança de que os nossos aqüíferos não serão poluídos, por isso esse leilão não tem nenhum sentido. As exigências que a ANP colocou no edital não são suficientes para proteger meio ambiente do país. Além disso, a agência não tem equipe para fiscalizar. O aquífero Guarani, que estará em alto risco, pertence também a outros três país, alem do Brasil: Argentina, Paraguai e Uruguai. Há um tratado assinado entre essas quatro noções que as obriga a protegê-lo. Considerando que nós já temos mais de 60 bilhões de barris de petróleo só no pré-sal, então não precisamos de leilões, muito menos de assumir esse enorme risco ambiental com o gás de folhelho”, analisou Siqueira. A bacia que teve o maior número de blocos arrematados foi a de Sergipe-Alagoas. A presidente da ANP, Magda Chambriard, mostrou animação com as perspectivas do leilão. “Essa é uma rodada para semear a cultura do gás natural no país. É uma fonte energética relevante e precisa ser difundida ”, afirmou Chambriard, que não citou o risco ambiental em nenhum de seus discursos durante a 12ª rodada. No total, 12 empresas fizeram ofertas, sendo quatro delas estrangeiras e as outras oito nacionais.