INSISTIR EM AUMENTAR JURO CONTRA INFLAÇÃO É ECONOMICÍDIO TOTAL. Só não vê quem não quer. O excesso de juros incidente sobre a dívida do país, sobre a vida do trabalhador, sobre a atividade empresarial etc, etc criou tal evidência de risco sistêmico para a economia que, certamente, o desenvolvimento sustentável não acontece nunca. Ela, em si mesma, transformou-se em tremendo risco potencial. E contra esse risco iminente de estouro decorrente do juro alto a resposta dos neoliberais é sempre a mesma: mais juro. Samba de uma nota só. Parece programa de “debate” produzido por William Waack. Só se ouve e vê um lado da questão, a opinião da direita, comprometida com o interesse dos especuladores. E de juros em juros, de juros sobre juros, no reinado da República jurista, com o país pagando, somente de amortização e juro, anualmente, mais de R$ 1 trilhão, cerca de 50% do total do orçamento geral da União, obviamente, a inflação não cai de jeito de nenhum. Ao contrário. Claro, todo o juro é repassado aos preços. A solução jurista, que tomou conta das cabeças neoliberais, só aumenta a inflação. Fracasso geral dessa macro-política-econômica movida a juro. Na casa dos 6% ao ano, a inflação só tende a subir, quanto mais juro no mercado futuro é especulado para trazê-lo a valor presente pelo mercado financeiro especulador. Em Sidney, onde se reuniu o G-20, semana passada, Alexandre Tombini, presidente do BC, finalmente, caiu na real. Disse que a desvalorização cambial é a solução para melhorar as exportações, diante das importações. Claro, o produto internacional, concorrente do produto nacional, está muito mais barato, porque os produtores lá fora não estão pagando juros para produzir. É o juro alto tombiniano que está levando o país ao colapso. Ao longo do ano passado, Tombini e sua turma puxaram, puxaram, puxaram para cima a taxa básica, que, viciada na cocaína dos juros, joga a dívida nas alturas, ganhando contornos explosivos. Diante da política monetária americana, que mantém excesso de oferta de moeda na circulação e juro zero ou negativo, tudo para reduzir custos para o setor produtivo americano reagir à recessão e ao perigo de depressão decorrente do estouro da financeirização especulativa global que os próprios Estados Unidos produziram, a sustentação, pelo BC, de juro básico selic, na casa dos 10,5% ao ano, 5% real, descontada a inflação de 5,5%/6%, é economicídio puro. Logicamente, os especuladores, diante da eutanásia do rentista vigente nas economias ricas, Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Europa, todos agindo no mesmo sentido (juro zero e oferta monetária excessiva), voam para o Brasil, a fim de especular. Nada mais vantajoso para as multinacionais, que atuam oligopolicamente em setores estratégicos da economia, dominando tudo, do que tomar dinheiro a juro zero ou negativo lá fora, para faturar os tubos aqui dentro, comprando tudo a preço de ocasião, arrematando os melhores negócios, enquanto sobram para os brasileiros o buraco da dívida cada vez mais largo para caírem mortos. O déficit em contas correntes do balanço de pagamento vai condenado o povo brasileiro ao colapso produzido pelo juro extorsivo. Sobre a dívida pública, juro de 10,5%; sobre o consumidor, juro de mais de 200%; sobre o empresário, juro superior a 50%, para dispor de capital de giro; para investir, só existe dinheiro caro, mediante garantias que só quem tem dinheiro pode tomar; os pobres em geral sofrem o repasse geral dos juros aos preços. Somada a isso, tem a carga tributária regressiva, que mantém os preços dos gêneros básicos de alimentação inchados. Será que se nessa quarta feira o BC puxar mais uma vez o juro em nome do combate à inflação, esta irá ceder ou continuará como está, tensionada para cima? E ainda por cima vem o papo de que o ajuste fiscal tem que ser feito em cima do orçamento não financeiro da União, deixando de lado os gastos com juros no orçamento financeiro! Para o povo, lenha no lombo; para os especuladores, o paraíso na república jurista. Depois surgem as teorias furadas para explicar as razões do porquê a sociedade, de saco cheio, exige padrão Fifa, gritando nas ruas contra tudo e contra todos.