Notícia

A Petrobrás resiste

Data da publicação: 10/03/2014
Autor(es): Ronaldo Tedesco

Há um abandono da vocação da empresa

A Petrobrás é uma companhia de caráter nacional, estatal, em um país continental, com reservas provadas de petróleo que estão nos aproximando do primeiro time dos produtores mundiais. Entre as contradições que temos enfrentado, há a iniciativa do governo federal em realizar o controle inflacionário a partir da manutenção dos preços dos combustíveis. Isso tem gerado problemas no caixa da companhia. Bem como provocado desinvestimentos em diversas áreas, com os quais não temos concordado. O governo pode e deve exercer políticas de Estado a partir do controle — que defendemos e desejamos — que tenha da Petrobrás, a serviço da população. Entretanto, este controle inflacionário pode ser feito sem o estrangulamento da companhia, através, por exemplo, da Conta Petróleo, que reponha as perdas da Petrobrás. Outro aspecto esquecido pela maioria dos analistas: parte significativa do lucro das distribuidoras, tanto da BR Distribuidora como das privadas que atuam no mercado nacional, deve-se aos preços controlados pelo governo. São bilhões de reais que estão sendo sangrados da Petrobrás em direção às empresas privadas de distribuição de combustíveis. E também à BR Distribuidora. Temos desafios enormes pela frente. Por mais de dez anos de governos Collor, Itamar e FH, a manutenção das unidades off-shore foi tão abandonada quanto a das refinarias e terminais. Isso tem gerado um custo enorme de segurança no trabalho, eficiência e produtividade que cobra a sua conta hoje, diretamente nos resultados da empresa. Não que tenha havido uma mudança significativa desta gestão pelo atual governo. Mas não poderemos sobreviver a mais 20 ou 30 anos de produção intensa com o atual parque industrial sucateado nos moldes que o governo FH nos legou. Adicionalmente, há um abandono da vocação da Petrobrás de fomentar a indústria nacional. Isso está acontecendo pela teimosia da atual administração em manter seus projetos num valor mais em conta. Os custos desta política vão se apresentar logo após a partida destas novas plantas industriais. O nosso campo de exploração e perfuração está contido, por conta da política de partilha (ou da anterior concessão) mantida pelo governo brasileiro. Mas as áreas mais promissoras do pré-sal até agora leiloadas estão com a gente. Sem falar do campo de Libra, que constava da cessão onerosa e poderia ser transferido legalmente pelo governo para a Petrobrás, e não o foi. Estamos preparando a companhia para os novos desafios. Foi assim durante e ao fim do governo FH, que teimou em sucatear uma empresa do tamanho da Petrobrás, fatiando-a para entregar ao capital estrangeiro. Se deu mal quem apostou que a companhia não iria sobreviver aos anos de maus-tratos dos tucanos. Com certeza, se darão mal aqueles que apostam que a Petrobrás sucumbirá aos erros dos governos petistas. O desafio, como diz a propaganda da companhia, é a nossa energia.

FONTE: O Globo