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Ato das centrais sindicais no dia 9 de abril

Data da publicação: 02/04/2014
Autor(es): CGTB

Centrais acertam os últimos preparativos para 8ª Marcha da Classe Trabalhadora e defendem contribuição sindical e a não intervenção do MPT nas entidades sindicais

As Centrais Sindicais (CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT) se reuniram em São Paulo, para debater a organização da 8ª Marcha da Classe Trabalhadora que será realizada na capital paulista no dia 9 de abril e reunirá cerca de 60 mil trabalhadores que se concentrarão na Praça da Sé e caminharão até o vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Na 8ª Marcha, os trabalhadores vão defender a retomada do crescimento econômico, fim do fator previdenciário, fim dos leilões do petróleo, redução da jornada para 40 horas semanais, reforma agrária, fim do PL 4330 que amplia a terceirização, reajuste digno para os aposentados, regulamentação da Convenção 151 da OIT (direito à negociação coletiva e ao reajuste salarial dos servidores públicos), correção da tabela do Imposto de Renda na Fonte e ratificação da Convenção 158 da OIT.

Já foram distribuídos 300 mil exemplares do Jornal do Trabalhador, informativo unitário das Centrais Sindicais, que expõe detalhadamente o porquê da realização da Marcha e as reivindicações da classe trabalhadora, que defende um desenvolvimento econômico sustentável, soberano, com distribuição de renda e, por isso, repudia a política de arrocho nos salários dos servidores públicos e nos benefícios dos aposentados e os ataques à lei de recuperação do poder de compra do salário mínimo.

O cartaz do evento já foi rodado e, a partir da próxima semana, será distribuído pelas Centrais para os sindicatos.

MPT

Os dirigentes sindicais rechaçaram a posição apresentada por representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) de mudança do “modelo sindical” o “modelo de custeio”, supostamente porque, segundo eles, “os sindicatos não têm representatividade”, “não têm voto”, “têm estatutos inconstitucionais”, “não têm transparência contábil”, “há enriquecimento de diretores”, “falta de divulgação e violência nas eleições sindicais”.

Integrantes do MPT fizeram essas afirmações durante o “Encontro entre Sindicalistas e a Coordenadoria Nacional da Liberdade Sindical (Conalis)”, do Ministério Público do Trabalho (MPT), promovido pela UGT, em São Paulo, no último dia 14.

O secretário-geral da CGTB, Carlos Alberto Pereira, lembrou que nos últimos anos o movimento sindical cumpriu um papel muito importante no Brasil. “No sentido das mudanças que o país passou a ter, de resistir aos retrocessos que estão acontecendo agora e de conquistas mais gerais. Durante a história já teve esse papel, mas particularmente nesse período tem tido um papel muito grande com a participação de todas as Centrais Sindicais”, disse Pereira.

“Existe uma campanha na imprensa para demonstrar o movimento sindical como gângster que têm enriquecimento ilícito exatamente por causa desse crescimento e fortalecimento do movimento sindical e das entidades sindicais. O MPT tem feito ações histriônicas, consciente ou inconscientemente. Eles gostam muito de uma câmera de televisão, de uma mídia”, falou Pereira.

De acordo com Pereira, “nós devemos ter uma ação nossa de defender a contribuição sindical. As Centrais Sindicais já fecharam no passado uma proposta que contempla o conjunto das Centrais, independente do ângulo. As pessoas podem interpretar as propostas de diversas formas. A CGTB interpreta que a contribuição compulsória é uma contribuição de toda categoria, decidida em assembleia, portanto garante a autonomia do movimento sindical e garante o sindicato como instituição representante de toda categoria como está na Constituição”.

“Nós temos que denunciar o Ministério Publico do Trabalho pela sua interferência no movimento sindical. Eu não acho que tem sido positivo. Na opinião da CGTB tem sido negativo no sentido de, consciente ou inconscientemente, jogar água no moinho dessa campanha contra o movimento sindical brasileiro, contra os sindicatos, contra as Centrais Sindicais”, enfatizou o dirigente da CGTB.

“Queremos ter uma ação política legal, de lei, no sentido de garantir o custeio do movimento sindical. Esse custeio tem sido bombardeado e o objetivo político desse bombardeio é enfraquecer as entidades sindicais e o papel que a gente tem tido. Não é acabar com as exceções”, completou Pereira.

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, “uma coisa é a questão do Ministério Público do Trabalho estar intervindo nas entidades sindicais e outra coisa é a discussão entre nós, as Centrais. Temos que separar as duas coisas”.

“Eles fazem campanha contra nós pegando os absurdos e as exceções e colocam como se fosse prática do movimento sindical. Nós não podemos fechar os olhos. Não somos isso que o Ministério Público do Trabalho está dizendo que a gente é. As Centrais em relação às eleições defendem democracia, que as cobranças têm que ser razoável, é isso que nós defendemos. Não enfiar todo mundo no mesmo saco e ficar intervindo em sindicato legítimo como eles estão fazendo”, falou Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT.