Notícia

Auditoria cidadã da divida prova ilegalidade do endividamento

Data da publicação: 18/02/2014

Em entrevista ao Jornalista Luiz Carlos Azenha para o Blog Vi o Mundo a economista e ex-auditora da Receita Federal, Maria Lúcia Fattorelli faz uma série de denúncias sobre as dívidas interna e externas do Brasil. Ela diz que se houvesse uma auditoria séria como aconteceu no Equador poderia haver uma redução de até 70% do valor do endividamento, uma vez que a maior parte das cobranças são ilegais e irregulares. O sistema financeiro é o setor que mais lucra com os juros altos do mercado, mas isto não é dito pelos meios de comunicação, uma vez que os bancos são os maiores anunciantes nas áreas de publicidade e de propaganda dos grandes veículos de comunicação do país. Os recursos pagos pelos governos com os títulos da dívida pública crescem em proporções astronômicas, mas este dinheiro é retirado dos investimentos do setor público em educação, saúde, transportes, meio ambiente e de outras áreas sociais para enceher o bolso dos banqueiros. A atual dívida externa do Brasil está em cerca de US$ 440 bilhões e a maior parte dos credores desta dívida é da iniciativa privada, mas, segundo Fattorelli em 1992 parte da dívida do Brasil e do Equador prescreveram, mas continuamos pagando os juros que são controlados pelos banqueiros internacionais. Fattoreli cita os gastos sociais do Equador antes e depois da auditoria da dívida externa feita em 2007 e 2008 em que os investimentos nas áreas sociais e na infraestrutura aumentaram com a queda no pagamento da dívida equatoriana onde mais de 95% dos banqueiros aceitaram receber apenas 30% do total do que é devido pelo país vizinho. Somente algumas instituições podem comprar os papéis são os chamados “dealers” no total de doze entidades podem adquirir estes títulos que são: bancos nacionais e estrangeiros, fundos de pensão, empresas não-financeiras, fundos de investimentos e empresas não financeiras. Os juros médios no Brasil em 2013 foram de 11,72% e com um estoque da dívida interna e externa de R$ 3,4 trilhões o Banco Central calculou um total R$ 134 bilhões pagos pelo país, mas pelas contas de Fattorelli o Brasil deveria desembolsar um total R$ 398 bilhões para pagar os juros e esta diferença que chegou a R$ 264 bilhões e para onde foram estes recursos e uma das conclusões dela é que isto é uma fraude. Segundo a economista esta dívida aumenta a falta de recursos do governo e o empurra a fazer as privatizações que são pedidas pelo mercado e que dilapidam o patrimônio público e assim é explicado o estouro da dívida interna no governo FHC e as privatizações que deslancharam no periodo tucano. A dominação do estado brasileiro pelo setor privado no caso o sistema financeiro é uma das conclusões de toda esta trama das oligarquias financeiras para abocanhar os ativos do país através das suas empresas e riquezas naturais.