A Petrobrás é uma companhia de caráter nacional, estatal, em um país continental, com reservas provadas de petróleo que estão nos aproximando do primeiro time dos produtores mundiais.
Entre as contradições que temos enfrentado há a necessidade do Governo Federal em realizar o controle inflacionário a partir da manutenção dos preços da gasolina e do óleo diesel. Tal fato tem gerado problemas severos no fluxo de caixa da companhia, bem como, com uma ousada política de investimentos, provocando desinvestimentos em diversas áreas de produção. Desinvestimentos com os quais não temos concordado.
O Governo Federal pode e deve exercer políticas de Estado a partir do controle – que defendemos e desejamos – que tenha da Petrobrás, a serviço da população. Entretanto, este controle inflacionário pode ser feito sem o estrangulamento do fluxo de caixa da companhia através, por exemplo, da CONTA PETRÓLEO, que reponha para a Petrobrás suas perdas.
Há outro aspecto importante, que é esquecido pela maioria dos analistas. Uma parte significativa do lucro das distribuidoras, tanto a BR Distribuidora como as privadas que atuam no mercado nacional, se deve aos preços controlados mantidos pelo Governo. São valores na ordem de Bilhões que estão sendo sangrados da Petrobrás em direção às empresas privadas de distribuição de combustíveis. E também à BR Distribuidora. É uma transferência indevida de recursos financeiros da Petrobrás que o Governo conhece, sabe, mas que não faz nada para conter.
Não são poucos nem pequenos os desafios que temos pela frente.
Durante quase 10 anos de governos Collor, Itamar e FHC, as plataformas da Bacia de Campos foram abandonadas a sua própria sorte. A manutenção das unidades industriais em off-shore foi tão abandonada como nas unidades industriais em terra, nas refinarias e terminais.
Isto tem provocado um custo enorme de segurança no trabalho, eficiência e produtividade que cobra a sua conta hoje, diretamente nos resultados da empresa. A queda da produção nas plataformas e refinarias era esperada e se apresenta agora nos resultados da companhia.
Não que a atual administração da Petrobrás esteja providenciando uma modificação total da gestão desenvolvida pelos governos anteriores. Mas não poderíamos sobreviver a mais 20 ou 30 anos de produção intensa com o atual parque industrial sucateado nos moldes que FHC nos legou.
Adicionalmente, a atual administração da Petrobrás está abandonando de forma lenta e gradual a vocação da companhia em fomentar a indústria nacional. Isto está acontecendo pela teimosia da atual administração em manter seus projetos num valor mais em conta. Após a entrada em produção destas plantas seguramente se apresentarão demandas que os padrões de excelência requeridos pela Petrobrás historicamente poderiam suprir. Mas cujos custos logo depois serão devidamente apresentados.
O nosso campo de exploração e perfuração está ainda minorado, por conta da política de partilha (ou da anterior concessão) mantida pelo Governo Brasileiro. Mesmo assim, as áreas mais promissoras do pré-sal até agora leiloadas estão conosco. Sem falar do campo de Libra, que constava da cessão onerosa e poderia ser transferido legalmente para a companhia pelo governo e não o foi.
Especialistas que teimam em tirar uma fotografia agora da Petrobrás, vão se surpreender. Não conseguem captar em suas imagens vazias o quanto de movimento interno o trabalho incansável dos petroleiros produz, preparando a companhia para os novos desafios. Foi assim durante e ao final do Governo FHC, que teimou em sucatear uma empresa do tamanho da Petrobrás, fatiando para entregar ao capital estrangeiro. Se deu mal quem apostou que a companhia não iria sobreviver aos anos de maltratos dos tucanos. Com certeza, se darão mal aqueles que apostam que a Petrobrás sucumbirá aos erros dos governos petistas.
O trabalho dos petroleiros supera as políticas de “governo”. Ainda que com muitos erros e com políticas truncadas, a Petrobrás se prepara para estar – não mais no primeiro time das petrolíferas do mundo – mas entre as três primeiras do setor. Há uma série de possibilidades que estão se apresentando a partir da localização da companhia no mercado nacional, da nossa descoberta do pré-sal, do fato de ser uma empresa estatal controlada pelo governo e tendo o papel estratégico como indutora da indústria brasileira.
A Petrobrás não perde energia com seus desafios. Nem com as políticas equivocadas deste governo ou de governos anteriores. O desafio, como diz a propaganda da companhia, é a nossa energia.