Sem poder construir novas hidrelétricas com reservatórios, devido, sobretudo, à oposição de ambientalistas, o Brasil terá que conviver com uma matriz energética cada vez mais suja, com aumento da importância das termelétricas, inclusive aquelas que usam o carvão e o diesel como combustível.
O Professor titular do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás, Ildo Sauer, tem reiterado que o governo errou ao dar prioridade às termelétricas nos leilões de energia dos últimos anos, o que segurou o avanço da geração hidrelétrica e eólica, mais baratas. Ele calcula que o erro causará custos de até R$ 1 bilhão a mais por mês, já que os custos de operação das termelétricas chegam a superar em até cinco vezes o das hidrelétricas. “O uso das termelétricas eleva o custo da energia no mercado livre e traz o risco de falta de gás natural para a indústria”, resume.
Já o ex-presidente da AEPET, Diomedes Cesário da Silva, lembra que no período em que o país era governado pelo PSDB a Petrobrás foi obrigada a assinar “contratos absurdos”, nos quais a Companhia financiava, junto com o BNDES, contratos que tinham garantia de rentabilidade, o que obrigava o pagamento mesmo que as usinas térmicas não fossem usadas. “Nas assembléias de acionistas, a AEPET denunciou esses contratos. E o professor Ildo Sauer, quando diretor, começou a revê-los propondo a compra das termelétricas”, recorda.Por sua vez, Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet, avalia que “o radicalismo dos ambientalistas” tem levado o Brasil a deixar de aproveitar o grande potencial da hidroeletricidade sob argumentação de não prejudicar o meio ambiente.
“Entretanto, a construção de usinas a fio d’água (com reservatórios menores) tem levado o país a consumir energia gerada por usinas térmicas a carvão e a diesel, que são muito mais poluentes do que as hidroelétricas”. Para Siqueira, “é preciso defender o meio ambiente com um pouco mais de racionalidade”.