Estados Unidos
O governador Jay Nixon do Estado de Missouri chamou a Guarda Nacional para intervir em Ferguson, subúrbio da capital Saint Louis, devido ao aumento de confrontos com a polícia, saques e outras manifestações de repúdio à morte do adolescente negro Michael Brown, baleado por um policial branco. Ao mesmo tempo foi divulgado o resultado de uma autópsia independente feita por um perito de Nova Iorque a pedido da família. Michael Brown, que aparentemente estava desarmado, recebeu seis tiros de frente. O tiro fatal entrou pelo alto do crâneo, provavelmente por ele estar curvado devido aos outros ferimentos. O governador responsabilizou a chefia da polícia pela violência policial.
Ucrânia
Os ministro de Relações Exteriores da Ucrânia e da Rússia estão reunidos em Berlim, com a presença ainda dos ministros correlatos da Alemanha e da França, tentando formular um acordo negociado para por fim ao conflito no leste daquele país. Ao mesmo tempo, o governo de Kiev anunciou ter ocupado posições no centro de Luhansk, bastião dos rebeldes separatistas, enquanto estes, aparentemente, começam a fugir da cidade e de outros pontos do território até então sob seu domínio. Donetsk continua sob pesado bombardeio das forças de Kiev.
Na segunda-feira, 18, um comboio com refugiados da região foi bombardeado com várias mortes entre civis, inclusive de crianças. O governo de Kiev responsabilizou os rebeldes pelo bombardeio, enquanto estes afirmaram apenas que trocaram um pesado fogo de artilharia com o exército ucraniano. Um comboio russo de 280 caminhões de ajuda humanitária continua detido na fronteira, e deve ser objeto das negociações em Berlim. Durante o fim de semana o governo de Kiev afirmou ter destruído em parte um comboio militar russo que teria invadido seu território, sem, no entanto, apresentar evidências concretas do fato até o momento.
Repórteres da mídia ocidental afirmam ter visto caminhões e blindados russos dentro do território ucraniano, sem confirmar o confronto. A OTAN emitiu nota dizendo que havia caminhões e blindados russos em território ucraniano, mas não caracterizou o fato como uma invasão. A Rússia nega ter enviado força armada para o território da Ucrânia, bem como qualquer ajuda miltar aos rebeldes.
Iraque
Curdos retomaram posições em poder do ISIS junto à represa de Mosul. Os bombardeios norte-americanos teriam favorecido a ação dos curdos. Em Bagdá há temores de que o reforço militar dos curdos – prometido pelo Reino Unido – possa levar o país à secessão. O novo primeiro-ministro, Haider al-Abadi, que sucedeu Nouri al-Maliki, declarou que a questão curda deve ser tratada com muito cuidado para não levar o país à divisão.
Haia
O Tribunal Internacional de Haia está sob dupla pressão. De um lado, há pressões para que ele abra um processo de investigação sobre crimes de guerra na Faixa de Gaza, examinando tanto as ações de Israel quanto as do Hamas. Há, inclusive um pedido nesta direção feito pela Autoridade Palestina há cinco anos. Por outro lado, há pressões dos Estados Unidos e de Israel para que isto não aconteça. Israel teme, inclusive, que um tal processo não se restrinja a Gaza, mas aborde também a questão dos assentamentos de colonos em outras regiões, com o deslocamento forçado da população palestina, o que, de acordo com a legislação internacional, é crime.
Alemanha
A mídia alemã denuncia que o serviço secreto do seu país espionou autoridades norte-americanas, inclusive a senadora Hillary Clinton, quando era Secretária de Estado, antes de John Kerry – que foi espionado pelo Mossad. Teme-se que neste clima de “todo mundo espiona todo mundo” as denúncias de Edward Snowden terminem sendo politicamente esvaziadas.
Londres
Em entrevista ao Guardian e outros órgãos da mídia, Julian Assange, há dois anos asilado e confinado na Embaixada do Equador em Londres, afirmou que deve deixar o local “em breve”. Não esclareceu o prazo deste “em breve”. Há especulações de que tal decisão esteja ligado a problemas de saúde, cardíacos e respiratórios, além de pressão alta. Recentemente um pedido da Embaixada para que ele não fosse preso caso se deslocasse a um hospital para tratamento médico, foi negado pelo governo britânico. Também novo recurso para que a Suécia retirasse o pedido de extradição foi negado em Estocolmo. O Ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, denunciou o que vê como falta de interesse por parte do governo britânico em encontrar uma saída diplomática para o caso.
Parece cada vez mais claro que somente uma mudança de governo em Londres ou Estocolmo poderia implicar uma outra situação para Assange, que não seja a da escolha entre o confinamento e a extradição para a Suécia, com risco de ser novamente extraditado para os Estados Unidos.
FONTE: Carta Maior