A AEPET vem atuando firmemente na apuração das denúncias envolvendo a compra da Refinaria de Pasadena. Defendemos a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis. Nossa atuação é sempre em defesa da Petrobrás. Não defendemos a permanência de corruptos em nossa companhia. Estamos conseguindo inserir na grande imprensa a opinião da AEPET e também através do Presidente, o companheiro Silvio Sinedino, que a partir da semana que vem reassume a representação dos petroleiros no Conselho de Administração da Petrobrás. Hoje publicamos a matéria que saiu no Estado de São Paulo sobre o assunto.
‘Minha única alternativa é o silêncio’, diz responsável por relatório de Pasadena
Ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró evitou comentar acusação de Dilma de que ele teria elaborado relatório ‘falho’ que levou à compra da polêmica refinaria
Ex-diretor da estatal está de férias na Europa
O executivo, que atualmente ocupa a diretoria financeira da BR Distribuidora, não comenta o caso. Em 2006, quando o negócio foi aprovado, Dilma era ministra da Casa Civil e comandava o conselho de administração da petroleira. Em nota, a presidente informou que só apoiou a compra de 50% da refinaria porque recebeu “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”.
Ao lado de Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso na quinta-feira no Rio pela Polícia Federal (PF), participou da elaboração do negócio que garantia vantagens à empresa belga Astra Oil em detrimento da Petrobrás na operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A acusação foi feita quinta por Sílvio Sinedino, que já foi conselheiro, deixou o cargo em 2013, e reassume agora para novo mandato de um ano.
Em entrevista à Globo News, Cerveró confirmou que está em férias no exterior, sem precisar o local, e disse que ainda tem duas semanas antes de retornar ao Brasil. Ele afirmou que as férias já estavam agendadas desde antes da divulgação da notícia do envolvimento da presidente Dilma Rousseff com a aprovação da compra da refinaria.
Perfil. Funcionário da Petrobrás desde 1975 e com formação em engenharia química, Cerveró assumiu o posto de diretor internacional da companhia no início de 2003, primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT), dentro da cota petista de cargos na estatal. Também recebeu a bênção de José Dirceu, que naquele ano chefiava a Casa Civil.
Em 2008, em meio a uma disputa política entre PT e PMDB na Petrobrás, Delcídio perdeu a queda de braço e Cerveró teve de deixar o cargo, que foi depois ocupado por Jorge Zelada. O seu substituto seria indicado do PMDB. O ex-diretor foi então deslocado para a diretoria financeira da BR Distribuidora.
Delcídio negou na quarta ser o responsável pela indicação de Cerveró. “Em 2003 fui consultado pelo governo sobre o nome de Cerveró para a diretoria e não vi nenhum óbice, era um funcionário de carreira da empresa”, afirmou o petista, que também é ex-diretor da Petrobrás. “No que se refere à tramitação de projetos, acho pouco provável que algum processo chegue ao conselho sem estar devidamente instruído para liberação dos diretores e conselheiros”, afirmou o senador.