Após espionagem na Petrobrás, senadores defendem suspensão do leilão de Libra
Após a revelação de que os EUA espionaram a Petrobrás, senadores da base aliada defenderam, nesta segunda-feira, a suspensão do leilão do Campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, marcado para o fim de outubro, ou proibir a participação de empresas americanas. Em reação, senadores também defenderam o cancelamento da viagem da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, em outubro.
— É muito provável que a espionagem tenha recolhido informações estratégicas sobre esse campo, informações que outras empresas, que empresas de todo o mundo não têm e que apenas as empresas americanas teriam. Portanto, quero propor ao governo brasileiro outra questão: que estude a possibilidade de proibir a participação de empresas americanas no próximo leilão que será realizado em outubro em relação aos campos do pré-sal — afirmou o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF).
A área de Libra tem reservas estimadas entre oito e 12 bilhões de barris de petróleo. Quem vencer o leilão, no qual a Petrobrás terá participação mínima obrigatória de 30% e ainda será a operadora, terá de pagar bônus de R$ 15 bilhões.Em discurso na tribuna do Senado, o senador Pedro Simon (PMDB) defendeu a suspensão do leilão:
— Presidente (Dilma), suspende esse leilão. É provável que a espionagem americana e as empresas americanas que estão se habilitando tenham vantagem enorme sobre as outras empresas.
Essa também foi a posição defendida pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), alegando que as empresas americanas já saberiam qual é a parte lucrativa do Campo de Libra:
— Os interesses na Petrobrás estão diretamente relacionados ao pré-sal, logo ao Campo de Libra, logo está viciado o leilão marcado para outubro. Esse leilão não tem condição de existir. Eles estão de posse de informações que são estratégicas para nós. Agora a medida é nossa e não tem outra medida que caiba ao Estado brasileiro senão cancelar esse leilão. Empresas já sabem onde está a parte lucrativa do campo de Libra e vão adquirir essa parte.
Presidente da CPI da Espionagem, a senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) ressaltou o fato de primeiro os EUA terem afirmado que o monitoramento era só para prevenir terrorismo e, agora, terem dito que a ação visava prevenir crises econômicas internacionais:
— Não é hilário porque é muito grave. Parece que zombam de todos nós.