AEPET NA GREVE
Durante o movimento grevista dos petroleiros, a Associação dos Engenheiros da Petrobrás reforçou, perante seus associados em todo o País, a tese de que os SINDIPETROS e STIEPSs são os legítimos representantes da categoria no tratos das questões trabalhistas. A posição da AEPET foi a mesma adotada nas paralisações anteriores: incentivar a participação de seus associados nas assembleias convocadas pelos sindicatos.
A AEPET acompanhou a evolução da greve junto aos seus núcleos regionais diariamente, colhendo informações e analisando os acontecimentos. Nos contatos com representantes dos núcleos em diversas regiões do País a AEPET recebeu denúncias sobre punições aos trabalhadores com cargo de chefia que aderiram a0 movimento e posicionou-se de forma contrária a estas medidas em telex expedido à direção da Petrobrás.
Em outro telex a AEPET conclama as direções da Petrobrás e dos Sindicatos a buscarem uma solução negociada para que o impasse seja resolvido o mais rápido possível, lembrando que a greve é um instrumento legítimo dos trabalhadores. A intenção da entidade durante a greve foi a de colaborar com os sindicatos no sentido de que as justas reivindicações dos petroleiros fossem atendidas sem que houvesse prejuízo à sociedade brasileira.
Reproduzimos, a seguir, os dois telex encaminhados pela AEPET à direção da Petrobris, a todos os sindicatos e aos núcleos regionais. Veja, também, as posições tomadas pelos núcleos da Bahia e de Duque de Caxias.
Telex expedido em 18 de janeiro
A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), tendo em vista o atual movimento reivindicatório dos petroleiros, considera que:
1- A greve é um instrumento legítimo dos trabalhadores, pela constituição assegurado.
2 – Os sindicatos são os representantes de direito de todos os petroleiros, sendo as assembleias os locais de deliberação da categoria, para as quais convocamos todos os associados da AEPET a participarem de forma a assegurar que as decisões tomadas reflitam a posição da maioria.
3 – É necessária a recuperação das perdas salariais ocorridas e dos planos salariais passados, cabendo salientar que os empregados de outras companhias privadas e estatais já foram contemplados. A defesa da Petrobrás pressupõe também a remuneração justa e adequada ao nível de competitividade do mercado de trabalho.
4 – Os profissionais não devem ser utilizados como instrumentos de dissuasão ou repressão do movimento de natureza sindical, nem tão pouco participar de procedimentos que possam colocar em risco a segurança do pessoal das operações da companhia.
5 – Não é positivo para os interesses da companhia, nem dos empregados o prolongamento do movimento grevista. As consequências da paralisação, com perigo de desabastecimento (que, esperamos, não se configure) trariam sérios danos a população, notadamente aos setores mais desfavorecidos, com graves prejuízos à imagem da companhia e ao monopólio estatal do petróleo.
6 – Os inimigos da Petrobrás, que diuturnamente a criticam em nova onda privativista contra a companhia e, certamente, tirar partido de qualquer desgaste de sua imagem pública.
Conclamamos as direções da Petrobrás e dos sindicatos a buscarem uma solução negociada que contemple os interesses maiores da sociedade.
Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET
Telex expedido em 22 de janeiro
Rio, 22/01/90
A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) tomando conhecimento da destituição de chefes de setores no SEPROD e, tendo |informações de que o mesmo vem acontecendo em Macaé e em outros órgãos, considera que:
1) atitudes como esta não colaboram para o andamento das negociações neste momento de crise, pelo contrário, agravam o clima de desconfiança mútua.
2) o papel do chefe de setor nunca foi adequadamente discutido. O nível de participação no processo decisório mais global é muito limitado. Normalmente é só nos momentos de crise que o chefe de setor é lembrado como membro da gerência da Companhia.
3) Os critérios para a escolha de cargo de confiança pressupõem a valorização da capacidade técnica e gerencial, e não a submissão pura e simples da hierarquia da Companhia, mormente em casos que envolvem direitos de cidadania. O cargo de confiança não destitui o indivíduo de seu direito de adotar a posição que julgar mais justa, à luz de sua consciência e dos interesses do país.
4) A participação em uma greve é um direito do cidadão, garantido pela constituição brasileira.
5) Até agora a Petrobrás e os sindicatos não se dispuseram a desenvolver os planos de contingência para situações de greve.
Pelo exposto, estamos certos de que as medidas adotadas no SEPROD, e nos demais órgãos, bem como as punições relativas a movimentos anteriores, serão reconsideradas. a AEPET está disposta a contribuir no debate de todas essas questões, particularmente no que se refere ao papel dos chefes no setor, e também sobre os planos de contingência.
Atenciosamente
Antonio Maciel Neto – Presidente da AEPET
Telex divulgado pelo núcleo da Bahia
Comunicado distribuído pela AEPET-BA
A atual diretoria da EE AEPET-BA, recém-empossada no último dia 12, faz o primeiro contato com os associados. Através deste comunicado, inadiável pela exigência do momento. quando tece algumas considerações, as quais foram, inclusive, objetos de discussões durante a campanha da chapa eleita.
Os sindicatos são as entidades legais e legítimas de representação de todos os empregados, bem como as suas assembleias são o fórum adequado para discussão e tomada de posição da categoria.
É incontestável a justeza das atuais reinvindicações ne reposição salarial, visto que outras empresas e órgãos federais já recebem esses índices ora reivindicados. Outrossim, a defesa do monopólio estatal de petróleo – objetivo maior da nossa entidade pela defesa de um corpo técnico e competente, motivado e com salários justos e competitivos. Contamos, pois, do julgamento favorável por parte do TST.
A AEPET-BA conclama seus associados ora em posse e posição de chefia para a observância de princípios éticos profissionais, não se colocando a serviço de possíveis praticas repressivas, nem tampouco participando de procedimentos operacionais que possam por em risco a segurança pessoal e/ou de equipamentos.
Finalmente, informamos que a diretoria tem estado presente e atenta aos desdobramentos do movimento, no sentido de exercer a defesa do corpo técnico, ao tempo em que se tem colocado a disposição para a boa consecução das negociações.
A diretoria
Salvador, 17.01.90
Nota divulgada pelo núcleo de Caxias
A Petrobrás e a Reduc passam pelos piores momentos de suas histórias. Em particular a Reduc passa for um momento muito difícil devido à greve do pessoal de turno que perdurou por 50 dias.
Os associados do NAEPET (engenheiros e profissionais) entendem que ocorreram erros de ambas as partes durante o movimento paredista. Tais erros acarretaram não só perdas materiais. mas principalmente sequelas deixadas na comunidade da Reduc, agravadas pelas 32 demissões.
Julgamos que as demissões, agravante deixado for este movimento, acarretaram perdas para ambas as partes. Para a Companhia representa a perda de técnicos experientes, nos quais foram realizados importantes investimentos ao longo dos anos. Para os empregados estas passam a er incomensuráveis, do ponto de vista financeiro, emocional e profissional. Em consequência disto observa-se a deterioração nas relações de trabalho na refinaria.
Para superarmos a atual situação por que passa a empresa, resgatarmos o ambiente propício ao trabalho e vencermos os imensos obstáculos com que hoje nos deparamos, é imperioso que haja muita união, coesão e harmonia entre os diversos segmentos, tanto da companhia como da refinaria, desde o mais humilde até o mais graduado empregado.
Portanto para que istoa seja alcançado é de sum importância e de extrema necessidade que as demissões sejam reavaliadas para que assim feito reencontremos a rota do entendimento e concórdia, fatores estes fundamentais para o reestabelecimento do clina anteriormente existente de confiança, de respeito mútuo e de integração dos empregados da Reduc.
PELA REAVALIAÇÃO DAS DEMISSÕES