Notícia

Reunião sobre o Xisto no Clube de Engenharia

Data da publicação: 25/11/2013

Especialistas defenderam a suspensão do leilão de xisto

Em ato realizado na sexta-feira (22), no Clube de Engenharia, especialistas e lideranças sociais alertaram para os riscos ao meio ambiente com a exploração do gás de xisto, constante no 12º Leilão da ANP, marcado para os dias 28 e 29/11.

Marcado para os dias 28 e 29/11, o 12º Leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) prevê a concessão de áreas exploratórias de gás de xisto, algo inédito no país, que se realiza por meio da técnica do fracking (fratura de rochas), muito condenada nos Estados Unidos e em países europeus. Para especialistas do setor petróleo, energia e meio ambiente, bem como lideranças sociais, entre elas diretores do Sindipetro-RJ, reunidos no Ato em Defesa da Soberania Nacional e do Meio Ambiente, na manhã de sexta-feira (22), no Clube de Engenharia, a adoção da técnica de fracking no Brasil trata-se de uma moda (ou cópia) perigosa ao meio ambiente e ao ser humano, pois o gás de xisto está abaixo dos aquíferos, entre eles o Guarani. Os produtos químicos utilizados na referida técnica, após injetados nas rochas, para fraturar e extrair o gás (shale gas), retornam ao meio ambiente e contaminam a água potável, com consequentes danos à vida humana e animal.

Compuseram a mesa daquele encontro o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian; o diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella; o professor Luiz Pinguelli Rosa (Coppe/UFRJ); o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira; e o presidente do Modecon, Lincoln de Abreu Penna. Estiveram presentes lideranças sociais e profissionais da engenharia, entre outras categoriais, que puderam se manifestar. Por unanimidade, foi defendida a moratória do 12º Leilão, para que o país avalie a viabilidade técnico-econômica e os danos ambientais com a exploração do gás de xisto. O encontro teve o apoio da Diretoria de Atividade Técnica e da Divisão de Engenharia do Ambiente do Clube de Engenharia.

Francis Bogossian sublinhou a urgência do país fortalecer a indústria nacional, para aliviar a remessa de dólares para o exterior, bem como desenvolver as empresas nacionais com tecnologia feita no país, contra uma posição copista de técnicas importadas que não tem a ver com a realidade local. Sobre a exploração do xisto, ele defendeu a realização de um estudo aprofundado para que o Clube de Engenharia emita um parecer técnico, não político, sobre a questão.

O vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, fez uma exposição sobre os riscos da exploração do xisto, bem como sobre os resultados do 1º Leilão do Pré-sal. Ele exibiu o vídeo do Sindipetro-RJ sobre os riscos com a exploração do xisto. Siqueira destacou que o país não tem estrutura (e quadro técnico) para garantir a prevenção de agressões ao meio ambiente e ao ser humano, advindos da utilização do fracking. Ele sublinhou que fazer esse leilão, sem uma discussão ampla com a sociedade, é uma irresponsabilidade.

O professor Luiz Pinguelli Rosa disse que as informações até agora reunidas indicam que o leilão de xisto é uma precipitação, bem como condenou a utilização (por cópia) de técnicas utilizadas nos EUA. Segundo o professor, nada indica que o gás de xisto será de baixo custo, como é nos EUA, pois a realidade brasileira é diferente. O país não tem uma rede de distribuição de gás como nos EUA. “Não podíamos abrir esse leilão por imitação ao que é feito nos EUA”. Pinguelli disse não ver esse leilão de xisto como economicamente viável, pois ainda há muito risco de atingir os aquíferos. Destacou que o leilão de xisto deve ser suspenso, para que se faça uma profunda análise técnico-econômica e ambiental da questão.

O diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, disse que o sindicato está honrado por estar na luta em defesa da soberania nacional e também defendeu a suspensão do leilão de xisto, para que o país estude mais detidamente sobre a viabilidade de tal exploração do gás de xisto (shale gas). “A política da presidente Dilma Rousseff no setor petróleo é um desastre. Ela prometeu, em 2010, não leiloar o pré-sal, mas fez o 1º Leilão do Pré-sal (Libra). Vamos lutar contra a realização desse leilão de xisto nos dias 28 e 29/11”.

Lincoln Penna (Modecon) falou que a luta em defesa da soberania nacional também inclui a defesa da nossa identidade cultural. Ressaltou, também, que a luta atual deve se inspirar na épica campanha “O Petróleo É Nosso”, das décadas de 1940/50, que resultou na adoção do monopólio estatal do petróleo (Lei 2004/53) e na criação da Petrobrás.

O engenheiro Paulo Metri disse que o Brasil está sendo o seu próprio verdugo em fazer leilões de petróleo. Analisou que os leilões compõe uma estratégia dos países hegemônicos, em destaque os EUA, para que o preço do petróleo caia para US$ 40, o que beneficiaria basicamente esses países, em detrimento dos em desenvolvimento, como o Brasil. Também manifestou preocupação com o fato do gás de xisto estar abaixo dos aquíferos.

Diversas pessoas no plenário daquele encontro puderam se manifestar e corroboraram com a preocupação da utilização da técnica do fracking no país e defenderam a suspensão do 12º Leilão da ANP. Os organizadores do encontro promovem reuniões todas as quinta-feira, no Clube de Engenharia.

FONTE: Agência Petroleira de Notícias