Notícia

Conflitos por petróleo ainda ameaçam a humanidade

Data da publicação: 24/06/2014

O relatório Oil and Gás Reality Check, da consultoria Deloitte prevê um cenário de excesso de oferta petróleo e gás, com preços estáveis nos próximos anos. Neste período, a produção do Brasil é a que mais crescerá, com alta de 3,9 milhões de barris por dia, e a consultoria avalia que o país pode ter perdas com este quadro. “O crescimento da produção interna americana e em países como Canadá, México, Brasil e Casaquistão vão alterar os mercados globais de hidrocarbonetos e o cenário geopolítico”, acrescenta o estudo.

No entanto, o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, alerta que pesquisas dessa natureza fazem parte da estratégia de esconder a verdadeira situação de “dramática insegurança energética dos Estados Unidos, da Europa e dos países asiáticos – China, Índia e Coreia do Sul, principalmente”. Segundo Siqueira, a Agência Internacional de Energia publicou recentemente dois gráficos esclarecedores. “O primeiro mostra que, em 2040, os Estados Unidos estarão produzindo um terço do seu consumo de petróleo equivalente. Dessa produção, um terço apenas virá do gás de folhelho (“xisto”), ou seja, em 2040, o gás de folhelho estará contribuindo com somente um nono do consumo total daquele país”, contabiliza. O segundo gráfico, de acordo com Siqueira, mostra o crescimento exponencial do número de poços perfurados, em face da queda de produção de cerca de 50% ao ano dos poços de gás de folhelho. “Assim, em 2013, o número de poços perfurados atingiu o espantoso valor de 25 mil por ano, com tendência a crescer ainda mais. Assim, não vemos como os Estados Unidos estarão conseguindo uma auto-suficiência energética”, argumenta. “Há vários outros países que possuem reservas de gás não convencional, porém o folhelho ainda é um energético que traz enorme ameaça ao meio ambiente para ser produzido e, infelizmente, estaremos dependentes do petróleo por muitos anos”, informa o vice-presidente da AEPET, acrescentando que os especialistas apontam que estamos em pleno pico de produção desse petróleo convencional. “Vale lembrar que as últimas grandes guerras tiveram como origem o conflito sobre reservas de petróleo. Infelizmente, esses conflitos ainda constituem uma grande ameaça para a humanidade”, resume.