O Programa Faixa Livre é uma iniciativa radiofônica exitosa. Criado em 1994, por um conjunto de entidades representativas do Rio de Janeiro, logo após a vitória eleitoral de FHC, ao longo dos anos consolidou uma audiência fiel, participativa e, acima de tudo, crítica.
O Faixa Livre firmou-se, especialmente, como um canal de expressão contundente contra o modelo econômico e social que se inaugurou no Brasil, a partir do governo de Collor de Mello, e que teve sequência com muito maior gravidade durante, justamente, os dois diferentes e seguidos governos de FHC. Privatizações, mudanças constitucionais e reformas econômicas guiadas pelos interesses maiores dos bancos e das multinacionais tornaram-se paradigmas governamentais. Desde então, portanto, exercemos o nosso direito de crítica, dentro de uma linha editorial que procura, também, se oferecer como uma tribuna de debates sobre as políticas públicas em curso no país e suas possíveis e diferentes alternativas.
A política econômica, as políticas sociais, o meio-ambiente, o petróleo e a questão energética, os dramas urbanos das nossas grandes cidades, a política partidária, o panorama internacional e a realidade latino-americana são alguns dos temas em permanente exame e debate entre os nossos comentaristas e colaboradores. Jornalistas, parlamentares, acadêmicos, sindicalistas, especialistas das mais diferentes áreas são as nossas principais fontes, para a reflexão dos mais agudos problemas do nosso país e do mundo. Procuramos diariamente oferecer aos nossos ouvintes um contraponto, uma releitura dos principais fatos jornalísticos cobertos pela mídia dominante, oferecendo uma interpretação dessas notícias, de acordo com o que entendemos ser o interesse nacional e o respeito aos direitos de nossa imensa população.
Procuramos, também, abordar questões fora da pauta da imprensa dominante. As lutas, muitas vezes anônimas, de milhares de lutadores do povo, nos nossos centros urbanos e também no imenso campo brasileiro, esmagado pelos interesses do agronegócio e do latifúndio, igualmente merecem destaque em nosso programa.
Por tudo isso, acreditamos cumprir o disposto no artigo 221, da Constituição Federal, que define que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos princípios, dentre outros, de conferir preferência às finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.
Essa nossa linha editorial, e particularmente a qualidade dos nossos colaboradores, acabou por nos conferir uma audiência expressiva na Rádio Bandeirantes AM, no Rio de Janeiro. Produção independente, ao longo desses mais de dezenove anos, realizamos e transmitimos o Faixa Livre, sempre como lideres de audiência nesta rádio, onde alugamos duas horas diárias de programa, de segunda a sexta-feira, atualmente a partir das oito horas da manhã.
Entretanto, apesar dessa nossa história, fomos surpreendidos, ao final do mês de novembro último, por uma notificação extrajudicial, nos informando do término do nosso contrato, em dezembro, e a decisão da Bandeirantes em não mais renová-lo. Buscando esclarecer as razões dessa medida, e mais uma vez nos surpreendendo, dirigentes da emissora nos esclareceram que a partir de dezembro a gerência da rádio passaria à responsabilidade do deputado Átila Nunes, parlamentar com mandato atual na Assembleia Legislativa do Rio e apresentador de um programa igualmente veiculado pela própria emissora Bandeirantes, em um horário logo após o Faixa Livre. Fomos também informados que haveria o interesse do novo gerente em manter o Faixa Livre na futura grade de programação da rádio.
Desde então, mantivemos contatos com o deputado Átila Nunes, conseguimos negociar a manutenção do programa na Bandeirantes, durante os meses de dezembro e janeiro, mas infelizmente – por razões vinculadas ao horário que nos foi oferecido a partir do mês de fevereiro e pelo reajuste proposto no valor contratual – não nos foi possível aceitar as novas condições impostas.
Vida que segue, conseguimos negociar com a direção da Rádio Livre, AM 1440, o horário de 9 às 10h30min, também de segunda a sexta-feira, e, desse modo, daremos continuidade ao nosso trabalho, sem nenhuma inconveniente interrupção do nosso programa.
Esperamos, evidentemente, que a nossa audiência nos acompanhe e que continue a nos prestigiar. Afinal, o maior patrimônio que podemos registrar como o mais relevante, nesses longos anos de trabalho, é o contato permanente com os nossos fiéis e solidários ouvintes. A chamada, por muitos, “família Faixa Livre”.
Este é um orgulho que temos e um compromisso inalienável: a manutenção de um canal de expressão que nos permita pensar o nosso país, com a participação dos nossos ouvintes e, acima de tudo, com a esperança de construção de um Brasil que seja justo, que elimine a vergonhosa desigualdade que nos cerca e que consagre a justiça social e uma verdadeira democracia, para os trabalhadores e demais setores populares do nosso país.
O Faixa Livre, portanto, se mantém e inaugura apenas um novo tempo, no novo tempo que se vislumbra no Brasil, na resistência e luta contra a brutal ofensiva que temos assistido contra todas as aspirações do povo brasileiro, por uma nova ordem, por uma nova política, por um novo país.
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança.
(trecho da música Novo Tempo, de Ivan Lins)