Quando se fala da campanha “O petróleo é nosso”, vem à lembrança a mobilização de um país, defendendo um sonho, que se transforma numa realidade chamada Petrobrás. Atualmente, a campanha “O petróleo tem que ser nosso” parece como que fora de época ou despropositada. Afinal, a Petrobrás é uma gigante e o pré-sal vai colocar o Brasil como grande produtor e exportador. O documentário “Caminho soberano”, porém, mostra a pertinência do lema “o petróleo tem que ser nosso”, diante da já iniciada entrega das reservas do pré-sal ao capital estrangeiro, relegando à Petrobrás um papel secundário na exploração deste tesouro.
Dirigido pelo cineasta Peter Cordenonsi, com patrocínio da AEPET e do Sindipetro-RJ, o documentário é uma elaborada colcha de retalhos, ao mesmo tempo esclarecedora e comovente, de depoimentos de quase trinta personalidades que têm em comum a defesa do interesse nacional. De jovens estudantes a veteranos que participaram da campanha “o petróleo é nosso”, todos são unânimes na crítica tanto ao modelo de concessão como ao de partilha.
Os depoimentos foram gravados antes do leilão de Libra, o que deixa a impressão de que tudo poderia ser diferente. Infelizmente, o documentário termina mostrando as cenas da absurda repressão militar que cercou os manifestantes, impedidos de se aproximarem do hotel onde ocorreu esse verdadeiro ato de lesa pátria. Na última imagem, uma foto mostra os rostos sorridentes da presidente da Petrobrás, Graça Foster, da diretora da ANP, Magda Chambriard, e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Se o documentário revela a perda da batalha, nos créditos do filme, quando toca a música “o xote do petróleo”, vemos imagens que trazem de volta a esperança e que vivemos apenas mais um capítulo desta história e que o caminho soberano ainda está por ser construído.