A Diretoria da Federação única dos Petroleiros (FUP) se apressou em indicar a aceitação da primeira proposta feita pela Petrobrás para acabar a greve nacional dos petroleiros. Depois de ter passado mais de dois meses sem dar uma resposta decente aos pleitos dos trabalhadores petroleiros, a direção da Petrobrás precisou enfrentar a maior greve nacional dos petroleiros desde 1995, quando a categoria mobilizada enfrentou o projeto privatizante de Fernando Henrique Cardoso no início de seu primeiro mandato. Os petroleiros de norte a sul do país pararam suas atividades e a companhia passou a contar apenas com os fura-greves e a equipe de contingência (supervisores, gerentes e gestores) para manter em operação a maioria das suas áreas industriais.
Plataformas, refinarias, campos terrestres e terminais cortaram a rendição dos turnos e iniciaram a mais forte mobilização em 18 anos. Muitos dos trabalhadores das áreas administrativas ficaram também de braços cruzados tendo em vista os eixos da greve que além da conquista de um acordo coletivo justo, incorporavam também a luta contra o leilão e contra o PL 4330 (da terceirização). Passado o leilão de LIBRA, a Petrobrás apressou-se em apresentar uma proposta para tentar desmobilizar os trabalhadores. De maneira despudorada, a direção da FUP fez o mesmo. Se apressou em aceitar a primeira proposta da Petrobrás, desperdiçando uma greve nacional que poderia conquistar muito mais.
Estamos atravessando uma conjuntura marcada pelas marchas de junho. Desde lá diversas categorias organizadas acordaram de uma longa hibernação sob os governos de Lula e agora Dilma. Portanto, o acordo – rebaixado – novamente não está à altura do que a mobilização dos trabalhadores petroleiros merecia. Este acordo segue discriminando trabalhadores da ativa e os aposentados, bem como os terceirizados. Não faz a correção salarial nos salários básicos dos petroleiros, continuando a utilizar a malfadada RMNR, bem como a Tabela Congelada para os aposentados. Não permite a progressão da tabela do Anuênio num momento em que os petroleiros se aposentam cada vez mais tarde. Não avança na concessão de um claramente necessário e Novo PCAC. Sequer restabelece o convênio INSS-Petrobrás.
É, portanto, um novo acordo coletivo de trabalho (ACT) rebaixado, que não está à altura dos petroleiros, de sua greve e muito menos desta nova conjuntura. Apesar disto, os petroleiros da ativa saem da greve nacional com uma importante sensação de vitória. Isto aconteceu por terem novamente se levantado contra os desmandos gerenciais e enfrentado a sanha privatizante do Governo Dilma. Com o leilão de Libra, cai também a máscara do Governo Dilma Rousseff, seu caráter pró-imperialista e antidemocrático, que enfrentou o movimento social e os petroleiros em luta contra o leilão com a Força Nacional, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de balas de borracha.
Ainda estão se realizando as assembleias em diversas bases petroleiras. Mas o indicativo divisionista da FUP provoca cisões que precisam de um pouco de tempo para serem sanadas e superadas. Muito provavelmente, se não me afobei em escrever este artigo, as assembleias de base não poderão ainda superar o indicativo e manter a greve neste momento. Em especial nas bases dos fiéis e combativos companheiros da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que têm demonstrado um caminho de luta e organização independente do governo. Caminho este que parece que está voltando a ser trilhado pelos petroleiros e por muitas outras categorias.
A direção da FUP e o Governo Dilma não devem se enganar: este processo está apenas no seu início. O projeto de colaboração de classe deste Governo está fadado a reencontrar seu algoz em breve. Os petroleiros voltaram à luta. E junto conosco, um novo sol brilhou no horizonte.