Notícia

Agenda Internacional da Semana – 21/07/2014

Data da publicação: 21/07/2014
Autor(es): Flávio Aguiar

Israel e Faixa de Gaza

Este será um dos temas dominantes da semana. Israel intensifica as operações na Faixa de Gaza, onde o número de mortos palestinos passou de 500 (505 até a manhã de segunda-feira), em grande parte mulheres e crianças. Até este mesmo dia havia 14 soldados israelenses mortos, e um suspeito de ter sido feito prisioneiro, até este momento não confirmado. O isolamento de Israel aumenta, mas o governo de Benyamin Netanyahu não parece disposto a recuar. Os bombardeios aéreos e naval foram ampliados para o sul da Faixa, atingindo regiões densamente povoadas, matando famílias inteiras. Há acusações não desmentidas até o momento de que Israel estaria usando bombas de fragmentação que explodem no ar e destroçam quem estiver por perto. Até o momento também há pelo menos facções do Hamas que não aceitam suspender o disparo de foguetes em direção a Israel. O secretário de Estado norte-americano John Kerry está no Cairo e o secretário-geral da ONU na região, tentando retomar a proposta de cessar fogo apresentada pelo Egito.

Ucrânia

Prossegue o caos no local onde estão os destroços do avião da Malásia Air Lines abatido na Ucrânia. Há notícias de saques e de que os rebeldes estariam dificultando o acesso por parte de peritos e equipes parfa dar destino humanitários aos cadáveres e restos de corpos destroçados. O local está sendo “contaminado” – este é o termo técnico – pela presença dos rebeldes, de pessoas avulsas e também de equipes de jornalismo. Um jornalista da Sky violou a mala fechada de algum passageiro, revirando e exibindo os objetos dentro, o que provocou um repúdio em escala mundial. A Sky desculpou-se várias vezes pelo acontecido. No plano político continua o “caos dirigido”, com o Ocidente, governos e mídia, apontando sempre para a Rússia como principal culpada pela tragédia, ao armar os rebeldes. Há alguma controvérsia sobre a origem do míssil BUK que teria sido usado para abater o avião. Os rebeldes afiançam não ter tais mísseis nem gente capaz de manejá-los. O Ocidente afirma que ele pode ter vindo diretamente da Rússia – com pessoal capaz de manejá-lo – ou que pode ter vindo de uma instalação militar ucraniana tomada antes por um grupo dos separatistas.

O Conselho de Segurança da ONU deve votar uma resolução exigindo a preservação e o acesso livre aos destroços por parte de equipes técnicas e humanitárias. A Rússia declarou que aprova uma resolução destas desde que ela não a responsabilize.

Alemanha

O país celebrou os 70 anos do atentado de 20 de julho de 1944 contra Hitler, agora conhecido sob o nome do filme de Tom Cruise, “Operação Valquíria”. Como sempre, houve discursos e coroas de flores solenes nas dependências do chamado Bendlerblock – a sede do QG da Wehrmacht em Berlim, de onde seria deflagrada a operação visando assumir o controle da capital depois da esperada morte do Führer, e que hoje abriga o Museu da Resistência Alemã. Além disto, houve também a “formatura” de novos recrutas das Forças Armadas, num momento em que ganha impulso no país a discussão sobre a ampliação ou não das suas ações no exterior. O debate tem conotações políticas muito claras, pois a atual ministra da Defesa, Úrsula von der Leyen, é apontada como uma das prováveis sucessoras da chanceler Angela Merkel, que está em seu terceiro mandato consecutivo.

Irã

A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU anunciou que o Irã diluiu grande parte de suas reservas de urânio enriquecido para níveis inferiores a 20%, limite mínimo para a fabricação de armas nucleares. O prazo das negociações com as potências nucleares do ocidente mais a Alemanha foi ampliado em 4 meses. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para reativação e ampliação das sanções contra o país com a acusação de que ele seria o responsável pelo armamento do Hamas, na Faixa de Gaza.

Líbia

Continuam os combates entre “islamitas” e “nacionalistas” (assim chamados) pelo controle do aeroporto da capital, Trípoli, hoje em poder daqueles. Imagens do local mostram carcaças de aviões destruídos e a luta envolve inclusive granadas e artilharia. Os combates também se estendem a Benghazi, sendo que recentemente o grupo chamado de “nacionalista”, chefiado por um ex-agente dos Estados Unidos, ocupou o Parlamento na capital e tentou derrubar o governo, considerado simpático à Irmandade Muçulmana. Analistas apontam a dificuldade das potências do Ocidente, que ajudaram a queda de Gaddhafi com bombardeios feitos pela OTAN, em se posicionar diante deste confronto que já tem proporções de guerra civil: intervir ou não? Se intervir, de que lado?

FONTE: Carta Maior