Ao ser homenageado pelo Clube de Engenharia nesta sexta-feira no Rio, o geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Produção e Exploração da Petrobrás destacou que, cada vez mais, os países desenvolvidos submetem à avaliação prévia do Estado as vendas de empresas estratégicas nacionais a estrangeiros. “O governo francês acaba de baixar decreto autorizando, se necessário, o bloqueio de vendas de empresas estratégicas a estrangeiros. Alemanha, Itália, Espanha e até os Estados Unidos já têm leis similares”, resumiu, numa referência à crescente desnacionalização da economia brasileira.
Durante o evento, que homenageou também o corpo técnico da Petrobrás e as empresas genuinamente nacionais, Estrella declarou que sua formação política e visão de mundo foram influenciadas de maneira determinante pela atividade profissional na estatal brasileira do petróleo, onde atuou por mais de 40 anos.
Presente ao encontro, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) destacou que a luta em defesa da Petrobrás não deixa margem à indefinições. “Há dois lados muito claros neste caso. De um lado estão os que participam de lutas como a campanha O Petróleo é Nosso ou contra o neoliberalismo e, de outro, os inescrupulosos que tentam submeter a empresa a uma política menor e mesquinha, que não aceita o regime de partilha”. Jandira frisou que a defesa da Companhia não exclui a apuração de quaisquer suspeitas de irregularidades. “Investigar sim. Fragilizar e desmoralizar não”, resumiu.
Já o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) acrescentou que a “política baixa” não consegue apagar o fato de que o povo brasileiro é o primeiro a desejar uma Petrobrás cada vez mais forte. “O povo brasileiro não quer Petrobrax, e sim Petrobrás. Os críticos de agora são os mesmos que, além de quererem mudar o nome da empresa, que trás o Brasil no nome, tentaram fatiá-la para depois privatizar”.
Para o deputado petista, o homenageado Guilherme Estrella reúne três características essenciais a quem ocupa cargos de confiança: competência técnica, rigor ético e compromisso político não partidário com o país. “Estrella sempre esteve ciente do papel da Petrobrás na construção de um país desenvolvido e soberano”, definiu.
Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, enfatizou que Estrella, Petrobrás e as empresas genuinamente nacionais formam um conjunto homogêneo. “A presença de empresas estrangeiras no país é bem-vinda, desde que haja transferência de tecnologia”. O presidente do Clube de Engenharia, que também é empresário na área de engenharia e tecnologia, reconhece que sua empresa cresceu “devido ao espírito desenvolvimentista e tecnológico da Petrobrás”.
Por sua vez, Agostinho Guerreiro, presidente do Crea-RJ, destacou que Estrella é um exemplo a ser seguido e seu nome está associado à capacidade dos técnicos brasileiros. “Sem a Petrobrás e seu corpo técnico jamais teríamos chegado ao pré-sal, que representa para o Brasil a possibilidade de superar antigos problemas sociais”.
Também estavam presentes Francisco Soriano e Ricardo Maranhão, representando a AEPET.