O uso crescente de usinas termelétricas e o incentivo do governo à indústria automobilística causaram um aumento de 7% nas emissões de gases poluentes no Brasil somente em 2013. Além disso, ano passado, pela primeira vez a participação de fontes renováveis na geração total de energia ficou abaixo de 80%. E a queda não foi pequena: em 2102 ela era de 84,5% e, no ano seguinte, caiu para 79,3%, segundo o Balanço Energético, levantamento elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A produção de energia puxou a expansão do consumo de combustíveis não renováveis, com aumento da demanda da ordem de 14,3% entre 2012 e 2013. Em segundo lugar aparece o setor de transportes, que consumiu ano passado 5,2% mais combustíveis do que em 2012.
O vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, cobra mais racionalidade da parte dos ambientalistas, críticos ferrenhos das hidrelétricas que, no entanto, pouco dizem contra as termelétricas. “Os ambientalistas fazem carga contra os reservatórios (das hidrelétricas), mas em vez de gerarmos energia elétrica com água, cada vez mais usamos combustíveis poluentes pesados, como óleo combustível, óleo diesel, gás natural e até carvão.”
Outra distorção apontada por Siqueira é o incentivo à indústria automobilística, que está produzindo engarrafamentos, gerando uma perda de tempo, de energia e de conforto nas locomoções. “O governo deveria incentivar o transporte coletivo de qualidade, principalmente nos modais sobre trilhos, como trem e metrô”, critica, ponderando que a indústria automobilística remete todo o seu lucro para o exterior, contribuindo para o déficit crescente nas transações correntes do Brasil.
“Isso tudo sem gerar tecnologia para o país. Esse segmento da indústria atua no Brasil desde a década de 1950 e até hoje o país não tem a sua fábrica própria”, resumiu.