A visão de um companheiro de base
A direção da FUP está divulgando sua avaliação do debate que ocorreu neste 2º turno da eleição para o representante dos trabalhadores no C.A. da Petrobrás. Um companheiro petroleiro – que trabalha na base sindical do Sindipetro/RJ – resolveu dar também uma contribuição a partir de sua visão do debate e o conteúdo defendido por ambos os candidatos. O texto foi publicado no site http://petroleirosbaserj.wordpress.com e estamos reproduzindo abaixo:
BALANÇO DO DEBATE DO 2º TURNO PARA O CA DA PETROBRÁS
Por Vinícius Camargo
1 – Apresentando os números de votos do 1º turno das eleições passadas com o desta eleição (18 mil em 2012, 17 mil em 2013 e, agora, 13 mil votos), Sinedino demonstrou que a presença de José Maria Rangel no CA desmotivou parte da categoria a participar desta eleição. Isso é ruim!!! Temos que participar para fazer melhorar e fortalecer o mandato de nosso representante!!! Se deixarmos, vai ficar como está, com um representante dependente do Governo na vaga que deveria ser de um defensor independente dos direitos dos trabalhadores e de uma Petrobrás forte e a serviço do povo trabalhador!!!
2 – José Maria Rangel falou muito de SMS, que pautou o CA com o tema que promoverá reuniões nas unidades e com a participação dos Conselheiros. José Maria Rangel viaja o Brasil (em razão de sua liberação sindical e não pela condição de conselheiro) para conhecer os problemas de perto. Perguntamos: toda essa movimentação teatral mudou o quê na política de SMS da Companhia? As oito ocorrências graves em refinarias e os dois incêndios em plataformas (P-20 e P-62) demonstram o quê? No próprio Norte Fluminense, em que é coordenador maior do Sindicato representante maior da FUP, ele tem toda a força para mobilizar e forçar mudanças efetivas, fez e faz o quê de fato? Mobiliza ou desmonta o ímpeto dos trabalhadores em se defender e impor suas demandas de Segurança e Saúde?
3 – José Maria Rangel demonstrou que concorda com:
– o processo da Repactuação do Plano Petros (abdicação de direitos de aposentadoria sob pressão financeira, psicológica, gerencial e política);
– o oferecimento de novo plano, o Plano Petros 2, aos novos empregados, mas com a redução da contribuição da Petrobrás em até 59,73% !!!!! e a discriminação dos aposentados pelo artifício da tabela congelada, do aprofundamento da política de remuneração variável e a “concessão de novos direitos” que não são estendidos aos aposentados.
Silvio Sinedino discorda da repactuação e da redução da Petrobrás e denuncia este processo. Ele está do lado daqueles que resistem a essas pressões e podem reverter esse ataque de modo a beneficiar todos os trabalhadores, inclusive aqueles que repactuaram obrigados ou enganados.
4 – Sílvio Sinedino luta pela alteração da Lei para que o representante do CA possa pautar e discutir os temas de interesse direto dos trabalhadores, mas não vende ilusões quanto a esta possibilidade, pois sabe que somente a organização e mobilização da categoria é que possibilitam qualquer conquista – um representante do CA pode ajudar, mas não é ou será a solução dos problemas dos trabalhadores.
5.1 – Democracia para José Maria Rangel? – Entende que, mesmo que uma maioria seja formada à força, pela pressão financeira, psicológica, gerencial e política, como foi o caso da Repactuação, que ela é legítima e não deve ser questionada. Que esta maioria, até coagida, legitima o isolamento e a potencial e nova coação daqueles que resistem.
5.2 – Democracia para Sinedino é? – Lutar contra as ofensas aos direitos dos trabalhadores, mesmos quando a sua maioria não conseguiu ou pôde resistir (individualmente e de fato) ao ataque do Patrão, à retirada de direitos. Repactuar não foi uma decisão livre da maioria dos trabalhadores e todos sabem disto. Há decisões judicias que já se pronunciaram quanto ao processo de repactuação o denunciando como ato coercitivo ilegal e imoral!!!! Da mesma forma como: a tabela congelada; o programa de remuneração variável sem contraprestação aos aposentados; a aceleração dos juniores sem a mesma consideração aos plenos e seniores; um sistema de controle de frequência que, automaticamente, contabiliza o desconto, mas só manualmente, contabiliza o pagamento de horas-extras ou a conversão de horas excedentes em folgas, etc.
6 – A diferença da transparência – Sílvio Sinedino solicitou informações sobre o processo de compra e venda da refinaria de Pasadena e apontou aos trabalhadores as incoerências ou inconsistências que via no processo. Zé Maria está cheio de informações, mas, no que é fundamental, pelo que respondeu à pergunta do Sinedino, as omite dos trabalhadores. Ter blog, fazer discursos, viajar o Brasil, conversar diretamente com os trabalhadores ajudam somente se o Conselheiro servir e falar a verdade para os trabalhadores, do contrário, é só mais uma enganação.
7 – O PIDV – Para Sinedino, é uma demonstração clara da equivocada e autoritária política de retirada dos direitos de aposentadoria e da precarização salarial, pela aplicação da política de inclusão de parcelas variáveis (que não são consideradas para aposentadoria). Isto é, pela política que Zé Maria defende, de retirada de direitos de aposentadoria e maior peso da remuneração variável, a Companhia se vê e se verá obrigada a devolver parte das perdas que infligiram aos trabalhadores, para que estes tenham condição de se aposentar menos pior do que no quadro que os colocaram. Seria natural que o Sinedino e seus contemporâneos, todo o pessoal que construiu esta forte empresa, já deu sua contribuiç ;ão e deseja usufruir de seu direito de aposentadoria, pudessem exercê-lo sem terem seus direitos atacados na PETROS ou sofrerem a coerção de um PIDV. Para Zé Maria, é demonstração de autoritarismo da Companhia e, ainda, que suas condições não contemplam as necessidades dos trabalhadores, bem como que é necessário recompor o efetivo da Companhia. Se o benefício da Petros não contempla, o PIDV vai contemplar?
8 – A política de preços, alocação dos lucros e os custos à vida dos trabalhadores – Zé Maria concorda plenamente com a política de preços e, por consequência, com a alocação dos lucros que dela se originam e dos custos à vida dos trabalhadores. Sinedino entende que a Petrobrás pode servir ao controle de preços ao consumidor, mas não deve ser subserviente aos governos de modo a se enfraquecer e ser obrigada a vender seus ativos (a preços de banana) ou diminuir seus investimentos. Nesta linha, denuncia que a Petrobrás está subsidiando até o lucro das distribuidoras estrangeiras (+ ou – uns 12 a 13 Bilhões de dólares em analogia ao lucro da BR Distribuidora) ao importar os combustíveis e não repassar os custos desta operaç&a tilde;o, inclusive, para as pobres distribuidoras estrangeiras!!!!!! Quem sempre paga a conta no final? São sempre os trabalhadores que são exigidos acima de suas forças (e não de suas competências) e que adoecem ou são vítimas nos acidentes e, volta e meia, são indicados como culpados dos mesmos, tudo, conforme demonstram os recordes de produção nas refinarias e os acidentes ocorridos.
Vote Sinedino – Caros, estas são minhas impressões quanto ao debate. Acredito que Sinedino demonstrou que é transparente e sério: firme quando está certo, mas admite seus erros e, quando é possível, volta atrás para consertá-los. Admite que falha, é gente igual a gente, seja quando o alçamos como nosso representante ou seja como nosso colega trabalhador, não é mais um típico candidato/falso político, que esconde e não admite seus erros, ao contrário, os reconhece para poder melhorar. Assim, por tudo que foi colocado e pelo histórico do Sinedino, que ao nosso lado esteve na luta pela isonomia dos Novos, contra a Repactuação do Plano Petros, na luta “O petróleo tem que ser nosso!” e , até no dia do ato contra Leilão do Pré-sal, e em muitas outras lutas, peço o seu voto em Sílvio Sinedino !!!!
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Dois homens são baleados na manifestação de funcionários do Comperj em Itaboraí
Duas pessoas foram baleadas na manifestação realizada pelos funcionários do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) na manhã desta quinta-feira (6), no início da rodovia RJ 116, em Itaboraí, região metropolitana do Rio. Segundo o Batalhão de Itaboraí, o caso aconteceu por volta das 5h, mas ainda não se sabe o motivo. Uma vítima foi atingida por um tiro na barriga e o outro foi atingido na mão.
O diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella falou a Imprensa da AEPET que a Petrobrás tem sua parcela de culpa neste episódio, uma vez que no último Acordo Coletivo de Trabalho em setembro foi criado um Fundo Garantidor para suprir as possíveis falta de pagamento por parte das empresas contratadas, mas isto não está sendo colocado na prática. “São 1500 trabalhadores que estão sem receber desde dezembro e o Sindipetro-Rj e a FNP lamentam este episódio de repressão com a contratação de seguranças pelas prestadoras de serviço no Comperj.” Concluiu Cancella.
De acordo com os grevistas, dois homens em uma moto passaram atirando contra os trabalhadores e acabaram atingindo o funcionário. Ronaldo Moreno, que é assessor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro alega que o sindicado da construção civil, que não deseja a paralisação das obras, contratou milicianos para atirar contra dos funcionários petroleiros. Procurado pelo R7, Moreno não foi encontrado.
As vítimas foram levadas para o hospital municipal Desembargador Leal Júnior. De acordo com o boletim médico divulgado, Felipe Feitosa, de 21 anos, e Françiuélio Rodrigues, de 20 anos, não correm risco de morte. Felipe levou três tiros, sendo atingido no abdômen, na coxa direita e na mão direita. Ele foi operado por volta das 7h30 e passa bem. Françiuélio Rodrigues, 20 anos, levou um tiro na mão direita e tornozelo direito.
Os trabalhadores realizam desde quarta-feira (5) uma manifestação contra as condições de trabalho e estão insatisfeitos com a condução das negociações entre o sindicato da categoria e a direção do complexo petroquímico. Segundo a PM, os manifestantes colocaram fogo em um ônibus na noite de quarta.
Uma equipe do 35º BPM está no local acompanhando o protesto.
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Usina de Araucária e Petrobrás não renovam contrato
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) anunciou ontem, quarta-feira, 5, em comunicado, que o contrato de locação de Usina Termelétrica de Araucária – firmado entre a controlada UEG Araucária (Uega), proprietária do estabelecimento, e a Petrobrás – expirou na sexta-feira, 31, e não foi renovado.
De acordo com a Copel, a operação da usina voltou a ser de responsabilidade da Uega desde sábado, 1, mas este retorno ainda depende de autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Copel tem 80% do capital social da Uega, enquanto os 20 % restantes pertencem à Petrobrás.
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Sindicato global da construção denuncia ‘escravatura moderna’ em grandes eventos esportivos
Com protesto e piquete, serão denunciadas, em Genebra, na Suiça, as mais de 60 mortes na preparação dos Jogos de Inverno de Socchi, marcando o início de uma campanha internacional pelos direitos dos trabalhadores da construção na Copa FIFA 2018.
A Internacional de Trabalhadores da Construção e Madeira realizará dia 6 de fevereiro, em frente à embaixada da Rússia em Genebra (Suíça), um protesto para denunciar ao mundo a grave situação dos trabalhadores da construção em Sochi e a possibilidade dessa exploração do trabalho se repetir nas onze cidades-sede da Copa 2018, na Rússia. O protesto prevê um piquete na porta da embaixada e conta com o apoio da Confederação Sindical Internacional (CSI) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio da ACTRAV – Oficina de Atividades aos Trabalhadores.
As estatísticas oficiais 2009-2011 mostram 71 acidentes durante as preparações dos jogos em Sochi, sendo metade deles com vítimas fatais. A ICM estima que mais de 60 trabalhadores morreram em Sochi e as checagens locais feitas por sindicalistas revelam 20 mortes só em 2010 , e 25 mortes em 2012. Ainda em 20 de novembro de 2013, um trabalhador morreu e dois ficaram feridos no principal estádio (Fisht).
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Dominação cultural e outras dominações
Por Paulo Metri
Dá-me angústia ver dirigentes de um país que não conseguem enxergar a grandiosidade e a responsabilidade dos cargos galgados. Muitos chegam ao alto cargo, unicamente, com um projeto de satisfação máxima dos grupos políticos que representa e do seu orgulho próprio. Estes são os corruptos e os desprezíveis. Outros, bem intencionados, querem contribuir socialmente e conseguem fazer muita coisa. Mas, em certos aspectos, fraquejam, pois, para fazer mais, é preciso enfrentar grupos muito poderosos, principalmente externos.
Neste ponto, lembro-me do ex-governador Leonel Brizola, que combatia as “perdas internacionais”, que eram a razão para não se conseguir atingir o máximo bem-estar social. Ele era criticado por não elencar estas perdas, mas, na verdade, quem o criticava tinha medo que a população viesse a conhecê-las. A intuição do sagaz político era perfeita. Algumas das possíveis perdas internacionais, em caráter de exemplo, são as seguintes. Ao se aceitar a antiga dívida externa sem uma auditoria pública, ao se assinar hoje as concessões petrolíferas danosas da lei 9.478, ao se possuir uma política mineral entreguista, ao não se proteger desde 1995 as empresas nacionais genuínas, ao se financiar com recursos públicos grupos estrangeiros, ao se concordar a part ir de data recente com um novo registro de patente de desenvolvimento antigo, que já deveria estar em domínio público, devido a um suposto novo uso, e ao se colocar em condição subalterna em negociações internacionais, restam para a sociedade brasileira perdas internacionais incomensuráveis.
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COTAÇÃO DO PETRÓLEO
O barril Tipo Brent estava em US$ 106,25 nesta 5ª feira (06/02). Por seu lado o óleo leve negociado em Nova Iorque foi para US$ 97,38 o barril (Oil-Price.Net).
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